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Por que é impossível matar príons?

Simples: não se mata algo que não está vivo.

Por Maria Clara Rossini 26 ago 2026, 18h00
Por que é impossível matar príons? Priorizar nos meus resultados Google

Na última sexta-feira (21), a equipe do youtuber Lito Souza, do canal Aviões e Músicas, anunciou seu diagnóstico da doença neurodegenerativa Creutzfeldt-Jakob. Essa é uma condição fatal e sem cura causada por um agente etiológico incomum: os príons. Não há casos de sobreviventes da doença; 90% das pessoas morrem em até um ano após o diagnóstico. Mas por quê? 

Não há como “matar” príons. Diferentemente de vírus, fungos, bactérias e protozoários, príons não têm material genético. Eles nada mais são do que proteínas, como as que compõem seu corpo. A diferença é que os príons são proteínas defeituosas, que conseguem “contaminar” outras proteínas apenas ao entrar em contato com elas. Como se fosse um dedo de Midas reverso.

O nome técnico da proteína príon é PrPsc. Ela é uma versão modificada da proteína PrPc (sem o “s”), que é completamente normal e produzida por todas as pessoas. Tanto a versão normal (PrPc) quanto a defeituosa (PrPsc) possuem a mesma cadeia de aminoácidos – ou seja, são compostos pelos mesmos ingredientes. A diferença entre elas está na estrutura tridimencional: enquanto a PrPc tem um formato enrolado, a PrPsc é lisa. Veja no infográfico abaixo.

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Esquema ilustrado e informativo sobre como ocorre a infecção por príons.
(Arte/Superinteressante)

O nosso organismo tem mecanismos para destruir eventuais proteínas defeituosas. Acontece que os príons, em específico, possuem um formato bastante estável, o que os torna “imunes” aos mecanismos de limpeza naturais do corpo. Ao entrar em contato com as proteínas normais, os príons transformam sua estrutura tridimensional na versão lisa, o que as torna defeituosas. Eles se acumulam aos poucos no cérebro e provocam a morte dos neurônios.

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E como os príons vão parar no organismo? No caso da doença Creutzfeldt-Jakob, há três opções. A primeira é o consumo de carne contaminada por príons, chamada “doença da vaca louca”. A segunda é uma mutação, transmitida hereditariamente, no gene PRNP, que é responsável por codificar proteína PrPc. E a terceira é a esporádica, em que uma proteína PrPc adquire a forma priônica sem motivo aparente. Essa última é a mais comum de todas.

O que são príons – e por que as doenças priônicas são tão letais

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Não adianta usar antibióticos, antivirais ou vacinas, pois nenhum desses métodos é capaz de destruir uma proteína. Mesmo as terapias que estão sendo testadas atualmente (uma da Universidade de Harvard e outra da farmacêutica Ionis) focam em interromper a produção das proteínas PrPc pelo corpo – dessa forma, os príons têm menos “matéria-prima” para transformar, o que retarda a doença. 

Nenhum tratamento experimental foca em destruir os príons em si. Por enquanto, não há maneiras de eliminar os aglomerados de príons que já estão no cérebro.

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Além disso, os príons são imunes aos métodos tradicionais de desinfecção. Geralmente os hospitais utilizam altas temperaturas, sabão, álcool, autoclave e outros compostos químicos para esterilizar equipamentos médicos. Todos esses métodos focam em destruir o material genético (DNA ou RNA) dos patógenos – algo que não faz sentido no caso dos príons. Por isso, é recomendado descartar quaisquer equipamentos que tenham entrado em contato com o tecido nervoso de um paciente. Se for reutilizado, o instrumento pode transmitir os príons para outra pessoa.

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