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“Fibermaxxing”: comer mais fibras traz vantagens, mas também há riscos

Circulam nas redes sociais conteúdos que incentivam o consumo elevado do nutriente. Mas cuidado: exageros trazem desconfortos.

Por Regina Célia Pereira, da Agência Einstein 2 jul 2026, 14h00 | Atualizado em 2 jul 2026, 14h16
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AGÊNCIA EINSTEIN | Originado em comunidades de jogos online e popularizado nas redes sociais, o termo “maxxing” — vindo do inglês para descrever a busca por maximizar resultados — chegou ao universo da alimentação. Depois do “proteinmaxxing”, tendência que incentiva o consumo elevado de proteínas, ganha força agora o “fibermaxxing”, estimulando o aumento da ingestão de fibras. De fato, a ciência reconhece diversos benefícios associados a esses nutrientes. As fibras auxiliam no funcionamento do intestino, contribuem para o controle da glicemia e do colesterol e aumentam a sensação de saciedade. Mas especialistas alertam: os efeitos positivos dependem de equilíbrio. Em excesso, elas também podem provocar desconfortos e prejuízos ao organismo. 

“Sem a hidratação adequada, o exagero pode trazer desconfortos, como dores, gases e até mesmo a obstipação”, avisa o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita. No meio líquido, as fibras amolecem o bolo fecal, favorecendo o trânsito intestinal; mas quando falta água, as fezes acabam endurecidas, provocando a chamada constipação. Há ainda indícios de que extrapolar nas fibras pode interferir com a absorção de sais minerais, como o cálcio e o ferro, prejudicando a capacidade do organismo de aproveitá-los.

Para a nutricionista Renata Juliana da Silva, professora da ETEC Uirapuru – Centro Paula Souza e vice-presidente da Associação Paulista de Nutrição (APAN), o movimento “fibermaxxing” pode se transformar em mais uma tendência extrema. “Nem sempre mais é melhor”, frisa. Porém, existe até um ponto positivo nessa onda, que é o de chamar a atenção para um nutriente que a maioria da população ainda consome menos do que deveria.

As recomendações variam conforme idade, sexo e fase da vida. De modo geral, para adultos, a ingestão diária deve ser de 25 a 30 gramas por dia. Mas o brasileiro consome, em média, 15 gramas de fibras diárias, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017–2018), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para suprir as necessidades, a melhor estratégia é incluir grãos integrais, frutas, hortaliças, feijões, castanhas e sementes, nas três refeições principais e nos lanches intermediários.

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Aliadas da saúde

Se hoje existem evidências de benefícios atrelados ao consumo das fibras, houve um tempo em que elas eram descartadas ou destinadas à alimentação animal. “Com o avanço das pesquisas, passaram a ser reconhecidas como componentes fundamentais da alimentação e, atualmente, são consideradas nutrientes funcionais devido aos efeitos associados à saúde intestinal, metabólica e cardiovascular”, comenta Silva.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define as fibras como polímeros de carboidratos complexos, presentes em vegetais, que resistem à ação das enzimas digestivas humanas e conseguem chegar praticamente intactos ao intestino grosso. 

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Um estudo publicado em janeiro no periódico científico Critical Reviews in Food Science and Nutrition esmiúça os efeitos das fibras e suas diferentes classificações. Com as descobertas recentes, elas deixaram de ser simples componentes vegetais. “São moléculas com ações específicas que podem variar de acordo com a sua fonte”, comenta Cukier. O artigo ressalta o papel do nutriente no equilíbrio da microbiota e os fatores que determinam a produção dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC).

“Os AGCC são compostos benéficos – acetato, propionato e butirato – frutos da fermentação intestinal e servem como fonte de energia para as células do cólon, fortalecendo a barreira do intestino”, explica o médico. Esse processo ajuda a evitar que agentes nocivos alcancem a circulação sanguínea, freando inflamações, entre outros distúrbios. 

As fibras são organizadas em dois grupos: solúveis e insolúveis. As solúveis, como o nome aponta, se dissolvem em água, formando uma espécie de gel no intestino. Elas estão envolvidas com a redução do apetite, com o controle glicêmico e das taxas de colesterol. Pectinas, gomas, betaglucanas e mucilagens são algumas dessas fibras e aparecem na aveia, nas leguminosas (feijões, lentilha, ervilha, grão-de-bico), na polpa da maçã e da pera, na cenoura e nas sementes de chia e linhaça, por exemplo.

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As insolúveis, por sua vez, são as aliadas contra a prisão de ventre. Entre os mecanismos envolvidos estão aumentar o volume das fezes e estimular a contratilidade e os movimentos do intestino. Cereais integrais (trigo, arroz, milho, centeio…), cascas dos feijões, bagaços de frutas, folhas como a couve e o espinafre, assim como sementes e castanhas, são excelentes fornecedores dessas fibras.

As gôndolas dos supermercados também exibem produtos enriquecidos. “Eles podem ser úteis em alguns contextos, principalmente para pessoas que têm baixa ingestão, mas é importante lembrar que adicionar fibra não os transforma automaticamente em algo saudável”, avisa a nutricionista. Portanto, vale a atenção às informações do rótulo.

Já a suplementação só deve ser feita com aval médico. “Idosos, acamados e gestantes podem precisar, mas é necessário passar por avaliação criteriosa para adequar o tipo e a quantidade”, orienta o nutrólogo do Einstein. Lembrando que exageros nunca são bem-vindos, até mesmo para ingredientes cheios de benefícios.

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Fonte: Agência Einstein

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