🔥 Mês do Cliente: Revista Impressa + Digital Premium por R$ 14,99/mês!

Queimadas exigem combate ao desmatamento e incentivo ao uso sustentável da terra

As previsões de incêndios para o trimestre de setembro a novembro sugerem que a situação no Brasil deve permanecer crítica nos próximos meses.

Por Débora Joana Dutra e Liana O. Anderson 19 set 2024, 16h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h07
Queimadas exigem combate ao desmatamento e incentivo ao uso sustentável da terra Priorizar nos meus resultados Google

Débora Joana Dutra é engenheira ambiental, sanitarista e doutoranda em Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Liana O. Anderson é bióloga, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI). O texto foi publicado originalmente na Agência Bori.

O Brasil enfrenta uma grave crise ambiental devido à seca extrema e a incêndios florestais. Praticamente todo o país está em alerta para queimadas, cujos impactos se intensificarão ao longo deste ano, gerando grandes prejuízos socioeconômicos e ambientais. Entre 1º e 29 de agosto de 2024, 2.074.252 ocorrências de calor foram registradas pelo Inpe através dos dez satélites utilizados para a detecção de focos — 57,49% do total anual. Diante disso, são urgentes medidas para responder aos eventos e prevenir novos incidentes.

A distribuição dos incêndios é alarmante: a Amazônia concentra a maioria das ocorrências de fogo em agosto, com 1.214.385 registros, 58,55% do total. Isso é grave porque o bioma é importante para a regulação do clima e preservação da biodiversidade, além de ser casa para cerca de 20 milhões de brasileiros.

Continua após a publicidade

Outros biomas também estão queimando de forma intensa. O Cerrado, importante para os ciclos hidrológicos, teve 113.855 ocorrências de incêndios (26,60%), e a Mata Atlântica e o Pantanal tiveram 5,49% e 7,96% dos registros em agosto. Mato Grosso, Pará e Amazonas concentram 60,9% dessas ocorrências, com 491.788, 441.702 e 331.557 casos de incêndio, respectivamente. São Paulo, com um aumento recente nas queimadas, ocupa a nona posição com 71.390 registros.

As previsões da probabilidade de queimadas e incêndios para o trimestre setembro-novembro apontam que existem 746 Áreas protegidas na América do Sul e 563 municípios do Brasil em níveis altos de alerta, sugerindo que a situação ainda deve manter-se crítica nos próximos meses.

Continua após a publicidade

Os incêndios causam impactos profundos, como a destruição da vegetação nativa, a perda da biodiversidade e o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, eles prejudicam a economia, a saúde e o bem-estar da população, pois provocam deterioração da qualidade do ar, perdas na produção agrícola, cancelamento de atividades ao ar livre e aumento nos custos com saúde pública e combate a incêndios.

As causas dos incêndios são diversas e incluem desmatamento ilegal, grilagem de terras, exploração madeireira, expansão agropecuária descontrolada, vandalismo e ameaça às populações tradicionais.

Continua após a publicidade

Em resposta a esse cenário, a Lei nº 14.944, sancionada em julho de 2024, criou a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que busca reduzir os impactos dos incêndios através de ações coordenadas, como o uso controlado do fogo e o fortalecimento das capacidades de resposta. No entanto é preciso ir além do manejo do fogo.

Continua após a publicidade

Uma abordagem integrada pode ajudar, o que inclui investir em ações de reforço da fiscalização contra o desmatamento ilegal, o incentivo a práticas agrícolas de uso sustentável da terra e a estruturação de capacidades de prevenção e resposta em propriedades rurais e áreas protegidas. A participação das comunidades locais e o respeito aos conhecimentos tradicionais são essenciais para uma gestão eficaz dos recursos naturais em um clima em transformação, onde será preciso desenvolver novos métodos para lidar com a ameaça crescente dos incêndios.

A implementação eficaz da lei, o estabelecimento de brigadas florestais especializadas e de ações de educação ambiental são passos importantes, mas é vital também abordar as causas dos incêndios. Compreendê-las e traçar medidas de enfrentamento podem ajudar a evitar que o que estamos vivendo em 2024 se repita.

Continua após a publicidade

 

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com uma árvore estilizada em verde-claro ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).