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Profissionais idosos não são menos produtivos

Mais um mito sobre a velhice foi desmentido - até os erros que os mais velhos comentem são menos graves que os dos jovens

Por Ingrid Luisa 21 dez 2018, 15h09 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h22
Profissionais idosos não são menos produtivos Priorizar nos meus resultados Google

A aposentadoria foi algo que deu o que falar em 2018. Mudança na lei, aumento da idade limite, dentre outras polêmicas.

Independente disso, a realidade é que, no mundo inteiro, pessoas mais velhas seguem trabalhando por necessidade – e ainda precisam ouvir questionamentos sobre a forma como a idade impactaria a performance. Uma pesquisa conduzida em 27 países da Europa e em Israel, porém, desmente alguns mitos sobre o impacto do envelhecimento na produtividade dos trabalhadores.

O método da pesquisa é interessante: chamada SHARE (Pesquisa de Saúde, Envelhecimento e Aposentadoria na Europa, na sigla em inglês), feita desde 2004, ela se baseia em longos questionários respondidos pelas mesmas pessoas ao longo de anos. O objetivo é compreender como trabalho, saúde e renda são afetados pelo aumento do número de pessoas com mais de 65 anos.

Como produtividade no trabalho pode ser um dado abstrato para se medir, a depender da função profissional, os pesquisadores levaram em conta observações coletadas pelas próprias empresas sobre os empregados. Durante os 14 anos de pesquisa, já foram analisadas 5 milhões de observações.

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A iniciativa foi do Instituto Max Planck – e nem todas as conclusões são favoráveis aos trabalhadores da terceira idade. Pessoas mais velhas, principalmente em setores como a indústria automotiva, tinham um índice maior de erros cometidos no dia a dia.

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No entanto, quando a gravidade dos erros era levada em conta, a desvantagem sumia –  porque, ressalta a pesquisa, os erros cometidos pelos jovens nas mesmas áreas eram muito mais graves. No longo prazo, valia a pena contratar profissionais mais experientes, cujos erros comprometem pouco a própria função.

Em relação à produtividade, os resultados mostram que ela não diminui por conta do tempo – e pode até aumentar, dependendo da área. Além disso, para os profissionais, se manter trabalhando pode ser interessante até em questão de saúde: os índices de declínio cognitivo eram menores entre os idosos com uma ocupação.

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Outra descoberta relevante do estudo refuta um mito bastante repetido, de que idosos no mercado tiram oportunidades dos mais jovens. Segundo a pesquisa, a presença de uma porcentagem maior de trabalhadores da terceira idade não teve relação significativa alguma com a taxa de desemprego entre a população com menos idade.

Focada na Europa, a pesquisa procura soluções para algo que já é problemas pra eles há bastante tempo: o drástico envelhecimento da população. A estimativa atual diz que, na metade do século XXI, 28% da população europeia terá mais de 65 anos. Mas o Brasil não está muito melhor: previsões afirmam que a população com mais de 60 anos vai triplicar até 2050, chegando a 29,3%, segundo o IBGE.

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Ao todo, a SHARE  já teve sete edições, que contou com 350 mil entrevistas e 130 mil pessoas, em 39 línguas diferentes – além de 27 mil amostras de sangue coletadas. Mesmo focada em lugares específicos, os pesquisadores ressaltam que é importante se estabelecer comparações internacionais com outras áreas, pois isso pode ajudar na hora de avaliar medidas para setores relevantes como o previdenciário e o trabalhista.

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