Cidades francesas e belgas distribuem galinhas aos moradores. Saiba por quê.
O projeto de adoção das aves é um sucesso há uma década, já que diminui o desperdício de alimentos e oferece ovos de graça.

O preço do ovo tem aumentado no mundo todo nos primeiros meses de 2025. Trata-se de um caso de inflação com múltiplos fatores, que tem a ver sobretudo com sucessivas ondas de calor.
Esse aumento de preço, porém, não é motivo de preocupação para algumas famílias da cidade francesa de Colmar, que tem as próprias galinhas desde 2015. Perto da Páscoa, a prefeitura da cidade começou a distribuir os animais de graça para seus moradores. O experimento de generosidade foi lançado pelo departamento de coleta de lixo da cidade para reduzir o desperdício de comida.
Colmar é uma linda cidade no nordeste da França, com prédios de aparência medieval e cerca de 70 mil habitantes. O local tem uma história antiga: sua primeira menção data de 823, mas com o nome Columbário. Já no início do século 13, as fortificações da região começaram a ser construídas.
O projeto generoso de Colmar deu certo, e já foi reproduzido em cidades na Bélgica. O projeto de distribuição e adoção de galinhas serve para abastecer a cidade e outros 19 municípios da região de ovos, além de reduzir o desperdício de alimentos em mais de 250 toneladas numa década (as aves, afinal, podem comer parte dos restos de comida da residência).
Como funciona
O presidente da agglomération (um consórcio de comunas, o equivalente francês de municípios) de Colmar, Gilbert Meyer, foi reeleito ao cargo (parecido com o de um prefeito) em 2014 usando o slogan “uma família, uma galinha”, que encorajava os moradores da região a adotar as aves.
A adoção de galinhas começou em 2015 em parceria com duas granjas da região. Mais de 200 casas em quatro municípios diferentes toparam receber duas galinhas cada, pensando nos ovos que elas dariam. Essas famílias assinaram juramentos se comprometendo a cuidar dos animais (não dava só para ganhar o par de galinhas e transformá-las em jantar).
Todos os galinheiros precisavam ter entre 8 e 10 m², e as famílias tinham de construir suas próprias estruturas. Deu certo, e continua dando, como mostrou uma reportagem da BBC. Desde 2022, casas em todos os 20 municípios da agglomération participaram do programa.
Nos últimos 10 anos, 5.282 galinhas foram distribuídas para os residentes locais, ajudando a cidade a impedir o desperdício de comida, alimentando os animais com resíduos orgânicos, e as famílias a economizar com ovos no mercado. Se você morar por ali ou conhecer alguém que mora, pode avisar que as inscrições estão abertas para receber suas galinhas em junho de 2025.
A expectativa de vida de uma dessas galinhas é de 4 anos, e elas consomem cerca de 150 gramas de bio-resíduos por dia. Desde 2015, a cidade estima que evitou o desperdício de 273 toneladas de lixo orgânico (o que diminuiu consequentemente a emissão de gás metano dos aterros da região).
Outras cidades na França e na Bélgica usam estratégias parecidas para combater o desperdício de comida: Pincé, no noroeste francês, começou em 2012 a distribuir galinhas e ração. As cidades belgas de Mouscron e Antuérpia e a província de Limburg também começaram a distribuir aves, mas os moradores tinham que concordar em não comer as galinhas por pelo menos dois anos. Em Limburg, mais de 2.500 famílias adotaram galinhas em só um ano.