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Saúde e clima: entenda a pauta dos manifestantes na COP30

Não é só o calor: conheça três impactos diretos das mudanças climáticas na saúde da população do Norte.

Por Maria Clara Rossini 12 nov 2025, 18h00

Na última terça-feira (11), médicos, indígenas e membros da sociedade civil realizaram a Marcha Global Saúde e Clima em Belém. A caminhada ocorreu no final da tarde, percorrendo 1,5 km entre a Embaixada dos Povos e a Zona Azul, o local onde acontecem as negociações oficiais da COP30. 

A Marcha foi organizada pelo Movimento Médicos pelo Clima em parceria com a Rede de Trabalho Amazônico, grupo que atua na defesa dos povos da floresta e da diversidade amazônica. A manifestação também contou com a presença da Fiocruz, Médicos Sem Fronteiras, Conselho Regional de Enfermagem do Pará e outras organizações.

No final da caminhada, um grupo dissidente entrou sem autorização na Zona Azul, área reservada a pessoas credenciadas do evento. Em nota, a organização da Marcha esclarece que esses participantes agiram de forma independente, e não estão relacionados ao ato.

“O objetivo da marcha foi chamar atenção para os impactos das mudanças climáticas na saúde pública e para a necessidade urgente de políticas que protejam tanto as pessoas quanto o planeta”, diz a nota.

A relação entre saúde e clima vai além das ondas de calor que mataram 62 mil pessoas na Europa em 2024. Trata-se de um problema sistêmico, que envolve o aumento de doenças contagiosas, cardiovasculares e respiratórias – além de eliminar o acesso a possíveis novos tratamentos que viriam da biodiversidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas serão responsáveis por 250 mil novas mortes por ano. 

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Conversamos com Adalberto Val, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para a região Norte, sobre a integração desses dois temas. Ele (que não faz parte da organização da marcha) destaca três grandes exemplos de impacto das mudanças climáticas na saúde da população Norte, em especial a população indígena.

O primeiro deles é a segurança alimentar. O peixe é a base da dieta – e muitas vezes, a única fonte de proteína – da população amazônica. “Os peixes não conseguem regular a temperatura do corpo, então qualquer pequeno aumento da temperatura da água leva a uma mortalidade enorme desses animais”, diz Val. “Foi o que aconteceu em 2023 e 2024. A gente tinha quilômetros de rios cheios de peixes mortos na superfície”.

Sem uma alimentação adequada, a população fica sujeita a doenças como desnutrição. A falta de acesso a alimentos locais também aumenta o consumo de ultraprocessados, produtos de baixo valor nutricional que estão relacionados à obesidade e a outros problemas de saúde. 

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O segundo impacto está relacionado às arboviroses – ou seja, doenças transmitidas por mosquitos. “Com cenários mais drásticos de temperatura e CO2, temos gerações mais curtas de mosquitos anopheles [transmissores da malária], portanto temos mais mosquitos em menos tempo”, diz Val.

O terceiro ponto diz respeito ao acesso aos sistemas de saúde em comunidades interioranas e ribeirinhas, em que o único meio de transporte é o barco. “Com a diminuição do nível da água dos rios, as pessoas ficam sem o transporte regular a serviços de saúde, que geralmente estão distantes”, diz Val.

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A relação entre a saúde do planeta e a saúde da população é um tema que cada vez mais pesquisadores e profissionais da saúde trazem ao debate. “Precisamos ter a visão de uma saúde única. O ambiente não pode contribuir para a deterioração da qualidade de vida e saúde das pessoas”, pontua Val, que também é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Na quinta-feira (13), um dos focos temáticos das negociações na COP30 será a integração entre saúde e clima. 

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