🔥 Mês do Cliente: Revista Impressa + Digital Premium por R$ 14,99/mês!

O aleitamento materno pode mesmo afetar o resto das nossas vidas? A resposta é sim

Uma alimentação saudável pela mãe e a amamentação são fundamentais, tanto sob o ponto de vista nutricional quanto pelo desenvolvimento dos vínculos emocionais

Por Patrícia Cristina Lisboa, Egberto Gaspar Moura, Luana Lopes de Souza e Rosiane Aparecida Miranda 9 ago 2026, 18h00
O aleitamento materno pode mesmo afetar o resto das nossas vidas? A resposta é sim Priorizar nos meus resultados Google

é professora titular de Fisiologia no Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O texto a seguir, escrito com Egberto Gaspar Moura, Luana Lopes de Souza e Rosiane Aparecida Miranda, foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.

Menos de 50% das crianças em todo o mundo hoje são amamentadas exclusivamente ao seio até o sexto mês de vida, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Isso não é uma boa notícia.

O leite materno é muito mais que alimento. Ele oferece benefícios para o bebê, como nutrição completa e equilibrada, com composição dinâmica adaptada às necessidades de cada fase do seu crescimento.

Os perigos ocultos dos peptídeos para as mulheres

Ele oferece componentes essenciais para a proteção imunológica: reduz riscos de infecções respiratórias, diarreias e alergias. E mais: a amamentação reforça o vínculo afetivo entre mãe e filho. Promove benefícios para a mãe, como a redução do risco de câncer de mama e de ovário, e auxilia na recuperação pós-parto.

Continua após a publicidade

Fortaleça o que funciona

A cada ano, a campanha tem um slogan específico. E aborda diferentes aspectos, desde o apoio no local de trabalho até o papel dos profissionais de saúde e da família no sucesso da amamentação. Em 2026, o tema oficial é “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”.

Vale destacar que a OMS recomenda que o aleitamento materno exclusivo aconteça até os seis meses de vida e a manutenção da amamentação, com alimentos complementares, ocorra até os dois anos ou mais.

Nesse mesmo contexto, no Brasil temos a campanha Agosto Dourado. É o mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno.

Continua após a publicidade

A cor dourada representa o “padrão ouro” de qualidade do leite humano. Ele é considerado o alimento mais completo para o desenvolvimento saudável, a imunidade e a proteção de recém-nascidos nos primeiros meses de vida contra diversas doenças.

Durante todo o mês, são realizadas ações de conscientização, palestras, rodas de conversa e mobilizações em unidades de saúde, hospitais, escolas e outros espaços públicos.

Desafios e como podemos superá-los?

Apesar dos benefícios comprovados, muitas mulheres enfrentam dificuldades para amamentar, como por exemplo, falta de apoio familiar, retorno precoce ao trabalho, desinformação e ausência de políticas públicas.

Continua após a publicidade

Por isso, a semana de Aleitamento Materno e o Agosto Dourado reforçam a importância do apoio da família e da comunidade à mãe que amamenta. Também é fundamental a existência de ambientes de trabalho com licença-maternidade adequada e salas de apoio à amamentação.

Os profissionais de saúde capacitados para orientar e acolher também são outro aspecto importante. E não menos importante é o combate à desinformação e à promoção de fórmulas infantis.

Insultos durante a amamentação

Há quase três décadas, nós do Laboratório de Fisiologia Endócrina do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) temos uma equipe de professores e alunos que realiza pesquisa experimental sobre doenças crônicas associadas ao desenvolvimento.

Continua após a publicidade

Enfocamos principalmente naquelas relacionadas a insultos ocorridos durante as fases de gestação e lactação, principalmente nas doenças endócrinas como a obesidade e o diabetes.

Os primeiros 1000 dias de vida do indivíduo, período que contempla a concepção até os dois anos de idade da criança, é um período de grande desenvolvimento do nosso organismo.

Há evidências de que alterações da dieta da mãe ou do ambiente no qual ela está exposta nesta janela crítica afeta a saúde da criança, com repercussões a longo prazo.

Continua após a publicidade

Um exemplo é a desnutrição que não apenas compromete o desenvolvimento infantil, mas também aumenta o risco de desenvolver doenças metabólicas na vida adulta.

Neste contexto, o leite materno tem papel chave na promoção de saúde infantil.

A amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de vida fornece nutrientes importantes para o seu crescimento, mas também componentes bioativos essenciais para a proteção imunológica do bebê.

Assim, o desmame precoce, definido como a interrupção do aleitamento materno exclusivo, aumenta o risco de mortalidade e morbidade infantil. Além disso, há risco de sobrepeso e obesidade ao longo da vida do indivíduo.

Desequilíbrio hormonal pelo desmame precoce

Frente a essas evidências epidemiológicas, nosso grupo de pesquisa tem investigado, em animais, os mecanismos envolvidos neste maior risco de doenças metabólicas.

De fato, o desmame precoce desequilibra os hormônios, afeta o controle da ingestão alimentar e do gasto energético, que justifica o perfil obeso. Estes nossos achados reforçam a importância de estimular a amamentação, seguindo as orientações da OMS.

Alterações nutricionais e ambientais que interferem na saúde da mãe durante a lactação modificam a composição do leite materno e, consequentemente, alteram o desenvolvimento da criança.

Em revisão da literatura baseada em estudos com modelo experimental sintetizamos o impacto de uma oferta adequada de leite materno à luz do conceito de “Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença” (DOHaD, na sigla em inglês), proposto por pesquisadores das áreas de epidemiologia e ciência básica de todo o mundo.

Nosso grupo já mostrou em [artigo científico publicado] em periódico internacional que fatores maternos durante a lactação como estresse, desnutrição, uso de drogas e exposição a contaminantes ambientais, como o cigarro, o bisfenol A, entre outros, são capazes de afetar a composição do leite materno.

E esses fatores aumentam o risco de desenvolver obesidade, disfunções metabólicas, doenças cardiovasculares e transtornos neurocomportamentais.

As informações científicas atuais sobre a importância do período de aleitamento materno para o desenvolvimento saudável do indivíduo, e sobre os fatores maternos durante a lactação que podem afetar a saúde a longo prazo do indivíduo estão compilados em um livro que publicamos.

Amamentação molda o resto da nossa vida: doenças que surgem com o desenvolvimento” tem o objetivo de gerar conhecimento sobre a origem de doenças crônicas não transmissíveis e orientar o desenvolvimento de políticas públicas para enfrentar e prevenir os problemas decorrentes desse fenômeno.

Além de estimular a amamentação e o estilo de vida saudável materno durante esse período, a obra fornece embasamento para quem quer ter um ponto de partida para conhecer o tema com mais profundidade.

Estimular o aleitamento é um ato de incentivo à saúde, inclusive reduzindo despesas em saúde pública.

No entanto, além do estímulo, é importante o suporte e a orientação adequados à essas mães, incentivando a adoção de um estilo de vida saudável durante a amamentação. O leite materno é vida!

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com uma árvore estilizada em verde-claro ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).