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Nova vacina de mRNA pode impedir que o câncer de pele retorne

Moderna e MSD dizem que seu tratamento funcionou em um grande ensaio clínico, no que pode ser uma revolução no combate à doença.

Por Bruno Carbinatto 24 ago 2026, 08h00
Nova vacina de mRNA pode impedir que o câncer de pele retorne Priorizar nos meus resultados Google

Uma vacina experimental contra o câncer de pele conseguiu impedir que o melanoma voltasse em pacientes com alto risco de recidiva da doença, segundo anunciaram as farmacêuticas norte-americanas responsáveis pelo tratamento, Moderna e MSD. 

Segundo elas, a vacina, quando combinada com outro medicamento, pode ajudar pacientes oncológicos a viverem mais tempo e sem o retorno ou o espalhamento do tumor.

Os resultados foram observados em um ensaio clínico de fase 3, a maior e última etapa de testes de medicamentos, que envolveu 1.137 pessoas. Entre os pacientes que foram tratados com a nova abordagem, as chances de reincidência do câncer de pele foram menores.

O anúncio foi feito por meio de um comunicado de imprensa; ainda não há uma publicação científica detalhando os dados do estudo. 

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A ideia de se criar vacinas contra o câncer e usar o sistema imunológico do próprio paciente para combater tumores é antiga na medicina, mas nunca foi concretizada de fato. O triunfo das vacinas baseadas em mRNA, que foram aprovadas pela primeira vez na pandemia de Covid-19 para combater o novo vírus, abriu novas esperanças para esse tipo de tratamento.

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Agora, pela primeira vez uma vacina parece ter tido sucesso nessa missão, o que pode ser um passo revolucionário na oncologia. 

Como funciona uma vacina anti-câncer

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O nome é um pouco confuso: a vacina não previne câncer em pessoas saudáveis, mas funciona como um tratamento para quem já tem a doença. Ela também pode impedir a recidiva, ou seja, a volta do tumor.

A vacina da Moderna e da MSD, chamada de intismeran ou mRNA-4157, é feita de maneira altamente personalizada: os cientistas coletam uma amostra do tumor do paciente, fazem uma análise genética e identificam “pedacinhos” específicos do tumor, principalmente proteínas mutantes que não existem em células saudáveis. Esses pedaços são chamados de “neo-antígenos”. 

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Daí, eles criam moléculas de RNA mensageiro que são injetadas no paciente – e ensinam o organismo dele a fabricar esses fragmentos específicos.

O sistema imunológico da pessoa passa a reconhecer os neo-antígenos como invasores, e começa a atacá-los, inclusive no tumor. Isso, na teoria, combate a doença e ainda impede que ela volte ou se espalhe.

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Esse tipo de tratamento está em estudo há anos, mas ainda havia dúvidas se ele funcionaria na prática. Os resultados divulgados nesta semana são os mais animadores.

O que diz o estudo

Participaram do ensaio clínico mais de mil pacientes com melanoma, um tipo de câncer de pele agressivo e com altas chances de recidiva. Os voluntários passaram primeiro por cirurgia para remover o tumor, e depois foram tratados com medicamentos. A ideia era testar se a vacina ajudaria a diminuir as chances de retorno e espalhamento da doença.

No ensaio clínico, os pacientes foram divididos em dois grupos. O primeiro foi tratado com o medicamento Keytruda (pembrolizumabe), um imunoterápico já aprovado para o tratamento desse tipo de câncer. Já o segundo também recebeu o Keytruda em combinação com a vacina experimental. 

Segundo as farmacêuticas, o grupo que recebeu os dois tratamentos teve taxas de recidiva da doença menores, embora não especifiquem números. Isso indica que, de fato, o tratamento parece funcionar.

As empresas planejam divulgar os números em alguma conferência de medicina. Mesmo depois da divulgação, a vacina ainda teria que ser analisada e aprovada pela FDA, a Anvisa dos EUA.

Mais do que um possível novo tratamento para melanoma, a vacina pode elevar as esperanças de estratégias inovadoras para outros tipos de tumores a abrir portas para uma revolução na oncologia. Há protótipos de vacinas de mRNA contra outros cânceres, como de rins, de pâncreas e de pulmões, mas os estudos são, por enquanto, pequenos e limitados.

As pesquisas mais avançadas são justamente as do câncer de pele – e o sucesso desse tratamento nos testes era essencial para saber se essa tecnologia personalizada baseada em mRNA poderia de fato funcionar. Ao que tudo indica, a resposta é “sim”.

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