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Consumo de café está ligado a menor risco de demência, diz estudo de Harvard

Cientistas analisaram dados de 130 mil pessoas e concluíram que maior benefício vem de duas a três xícaras diárias.

Por Bruno Carbinatto 21 fev 2026, 10h00 | Atualizado em 24 fev 2026, 13h21
Consumo de café está ligado a menor risco de demência, diz estudo de Harvard Priorizar nos meus resultados Google

Uma xícara ou duas de café por dia espantam o sono e aumentam a energia ao longo do dia, todo brasileiro sabe. Mas a bebida pode ter outro efeito benéfico inesperado: proteger os neurônios e desacelerar o envelhecimento do cérebro.

Uma nova pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Harvard, dos EUA, mostrou que há uma associação entre o consumo diário de café e uma menor chance de desenvolver demência ou outros tipos de declínio cognitivo. Os resultados positivos também são observados na ingestão de chás que possuam cafeína, mas não quando o café é descafeinado, sugerindo que a molécula é fundamental.

O estudo é do tipo observacional e não experimental, ou seja, não prova por si só se há uma causalidade entre os fatores. Mas ele tem seus trunfos: acompanhou 131 mil pessoas por 43 anos, um grupo e um período bastante grandes para pesquisas do tipo.

Os cientistas analisaram dados de duas pesquisas de longo prazo envolvendo profissionais da área de saúde. Os voluntários respondiam periodicamente questionários sobre suas dietas e estilos de vida, além de participarem de testes que medem as habilidades cognitivas. Durante mais de quatro décadas, cerca de 11 mil participantes destes estudos desenvolveram demência.

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Antes, outras pesquisas menores já indicavam um possível efeito protetor do café contra o declínio cognitivo, mas elas eram limitadas por causa do baixo número de participantes e, principalmente, por causa do prazo. A demência é algo que aparece lentamente ao longo de muitos anos e, portanto, precisa de estudos duradouros para ser detectada.

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Segundo os resultados, publicados no periódico científico JAMA, o consumo moderado de café (duas a três xícaras por dia) ou de chás com cafeína (uma a duas xícaras diárias) está associado a menor risco de declínio cognitivo. 

O tamanho da redução varia entre 15% e 20%, dependendo da quantidade ingerida; o maior benefício é atingido nas quantidades moderadas, sem efeitos adicionais depois da terceira xícara.

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Curiosamente, os efeitos positivos foram observados mesmo entre pessoas que tinham maiores riscos genéticos de desenvolver Alzheimer, o tipo mais comum de demência. 

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Embora o estudo não seja uma prova definitiva de que o cafézinho previne o declínio cognitivo, ele é uma boa pista, já que os pesquisadores incluíram na análise dos dados outros fatores que comprovadamente afetam as chances de desenvolver demência, como idade, peso corporal, hábitos, dieta etc.

O artigo também não permite concluir qual seria o possível mecanismo por trás desse efeito, mas o fato de que o café descafeinado não apresentou os mesmos resultados indica que a cafeína pode ser a principal responsável, e não outros compostos do café que também são bastante estudados por seus possíveis benefícios, como os polifenóis e os alcaloides. 

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Atualmente, há hipóteses que investigam se a cafeína pode reduzir a inflamação do cérebro ou ajudar a controlar o nível de açúcar no sangue, sem conclusões definitivas.

Os autores do estudo lembram, porém, que muitos fatores afetam a saúde do cérebro e o ritmo do declínio cognitivo – dieta, sono, exercícios físicos, vínculos sociais etc. –, e que, portanto, o café não é uma poção mágica para prevenir o Alzheimer.

E, vale lembrar, o consumo excessivo de cafeína também pode trazer problemas, como piorar a ansiedade ou desregular o sono. Em geral, a quantidade máxima recomendada da molécula por dia é de 400 miligramas, o equivalente a cinco xícaras de café, dez latas de refrigerante ou duas latas de bebidas energéticas. Além disso, crianças com menos de 12 anos devem evitar o consumo.

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