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O que é o “caxangá”, que os escravos de Jó jogavam?

É provável que a música tenha passado por um "telefone sem fio".

Por Artur Louback Lopes 18 abr 2011, 18h35 | Atualizado em 2 jul 2026, 18h08
O que é o “caxangá”, que os escravos de Jó jogavam? Priorizar nos meus resultados Google

 

Caxangá tem vários significados, mas nada de jogo. Pode ser um crustáceo (parecido com um siri), um chapéu usado por marinheiros, e há até uma definição indígena: segundo o Dicionário Tupi-Guarani-Português, de Francisco da Silveira Bueno, caxangá vem de caá-çangá, que significa “mata extensa”.

Escravos

Mas nada disso tem a ver com jogo e menos ainda com Jó, o personagem bíblico que perdeu tudo o que tinha (inclusive os escravos), menos a fé. Isso deixa os especialistas intrigados. “Já procurei caxangá, caxengá e caxingá, com x e ch, e não encontrei nada que fizesse sentido como um jogo”, diz o etimologista Cláudio Moreno. “Se esse jogo existisse, seria quase impossível explicar como ele passou despercebido por todos os antropólogos e etnólogos que estudam nossas tradições populares.”

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O que pode ter ocorrido é uma espécie de “telefone sem fio”: se originalmente o verso fosse “juntavam caxangá” ao invés de “jogavam”, poderíamos pensar em escravos pegando siris em vez de em um jogo. Outra hipótese é que caxangá seja uma expressão sem sentido, como “a tonga da mironga do kabuletê”, da canção de Toquinho e Vinícius – as palavras separadas até têm sentido (são vocábulos africanos), mas não com o significado que elas têm na música.

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