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Decibéis negativos existem. Entenda o que isso significa.

É tudo uma questão de intensidade.

Por Victor Bianchin 4 jun 2026, 10h00
Decibéis negativos existem. Entenda o que isso significa. Priorizar nos meus resultados Google

Sim, existem decibéis negativos. Mas isso não se traduz em um “som negativo”. O valor reflete mais uma questão de unidades de medida do que sobre o som em si.

Um decibel (dB) é uma unidade usada para comparar intensidades, especialmente de som. Ele mede quanto algo é mais forte ou mais fraco em relação a uma referência. No caso do som no ar, a referência mais comum é o limiar de audição humana: a menor intensidade sonora que, em condições ideais, uma pessoa jovem com audição normal consegue detectar. Esse valor padrão é 10⁻¹² watt por metro quadrado (um milionésimo de milionésimo de watt por metro quadrado), uma intensidade extremamente baixa.

Por isso, nessa definição, um som com 0 dB é exatamente um som com 10⁻¹² watt por metro quadrado. Um fato importante sobre decibéis é que eles não crescem de forma linear, e sim logarítmica. Isso significa que um aumento pequeno em decibéis pode representar uma mudança grande na energia real.

Um jeito intuitivo de pensar:

  • 0 dB não significa “sem som”. Ele representa o limiar da audição humana, que é o nível de referência.
  • 10 dB a mais = cerca de 10 vezes mais intensidade física em relação a 0 dB.
  • 20 dB a mais = cerca de 100 vezes mais intensidade física em relação a 0 dB.
  • 30 dB a mais = cerca de 1.000 vezes mais intensidade física em relação a 0 dB.
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Ter “X vezes mais intensidade física” não é ser X vezes mais alto. Um som 10 dB maior geralmente soa duas vezes mais alto aos ouvidos humanos.

Decibéis negativos só significam que o valor medido está abaixo da referência escolhida. Não é “som negativo” — apenas menos intenso que o ponto de comparação. Ainda mantendo o limiar de audição como referência acústica padrão, a lista funciona ao contrário:

  • 0 dB = limiar da audição humana
  • –10 dB = 10 vezes menos intenso que o limiar da audição humana
  • –20 dB = 100 vezes menos intenso que o limiar da audição humana
  • –30 dB = 1.000 vezes menos intenso que o limiar da audição humana
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Onde vivenciar isso

Na prática, você pode encontrar decibéis negativos em lugares extremamente silenciosos — normalmente ambientes criados especialmente para serem assim. No cotidiano, dificilmente você terá essa experiência.

O exemplo mais conhecido é uma câmara anecóica, uma sala construída para absorver quase todo o som refletido e bloquear o ruído externo. Nessas salas, o ruído de fundo pode cair abaixo do nível de referência de 0 dB.

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Um caso famoso é a câmara da Orfield Laboratories, em Minneapolis (EUA). Após várias melhorias e incrementos, ela hoje registra medições de −24,9 dB. Outro exemplo é a câmara anecóica da Microsoft, em Redmond (EUA), que foi reportada em torno de −20,3 dB.

O curioso é que, nesses ambientes, o que você passa a ouvir não é o silêncio absoluto, mas seu próprio corpo: os sons de batimentos cardíacos, da circulação do sangue, do movimento do estômago, das articulações, etc. Uma experiência única para quem pode vivê-la.

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