O mito dos “cosmonautas perdidos”
Teoria que diz que Gagarin não foi o primeiro homem no espaço foi alimentada pelo caso real de Grigory Nelyubov, o cosmonauta apagado da História.
O texto a seguir é parte de uma reportagem em sete capítulos:
O último soviético – e outras histórias do programa espacial da URSS
Como tudo o que era importante na URSS, a divulgação de informações do programa espacial foi rigidamente controlada pelas autoridades. Ao longo das décadas, isso fomentou o surgimento de algumas teorias conspiratórias – uma das quais alega que Yuri Gagarin, na verdade, não teria sido o primeiro homem no espaço.
Essa honraria, diz a tese, teria cabido ao piloto militar Vladimir Ilyushin (filho do engenheiro Sergey Ilyushin, fundador da empresa de aviões de mesmo nome). Vladimir [que aparece em vermelho na foto acima] teria ido ao espaço em 7 de abril de 1961, cinco dias antes de Gagarin – mas, ao regressar, sua cápsula teria pousado na China, e ele teria sido capturado pelo governo local. Para não ofuscar o brilho de seu programa espacial, a URSS teria apagado os registros dessa missão.
Outras teorias conspiratórias dizem que, na verdade, o primeiro homem no espaço teria sido o militar Alexey Ledovsky, mas ele teria morrido durante a suposta missão, em 1957 ou 1959 – e, por isso, também suprimido da história oficial.
Não há qualquer indício ou prova sustentando essas teses, que foram apelidadas de “cosmonautas perdidos”. Mas, como é comum ocorrer em lendas urbanas, elas têm nexo com um fato real: a URSS realmente apagou os registros de um cosmonauta. Foi Grigory Grigoryevich Nelyubov, piloto de avião e um dos “seis de Sochi” – os seis cosmonautas que competiam para participar da missão que levaria um homem ao espaço (Yuri Gagarin era um deles).
Nelyubov não foi o escolhido para o grande feito, mas continuou no programa espacial. Até que, em 27 de março de 1963, ele foi preso por bebedeira. Já tinha antecedentes do tipo, se recusou a pedir desculpas, e por isso foi tirado da lista de cosmonautas.
Nelyubov se afundou na bebida e na depressão e morreu em 18 de fevereiro de 1966, aos 31 anos, ao se jogar na frente de um trem. Para evitar o estigma relacionado ao suicídio, a URSS eliminou os registros de Nelyubov – e apagou a imagem dele de uma foto na qual aparecem os “seis de Sochi” [veja acima a foto original].






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