🔥 Mês do Cliente: Revista Impressa + Digital Premium por R$ 14,99/mês!

Como o pão de centeio pode ter causado os julgamentos das “bruxas de Salem”

Tudo começou com crianças que se queixavam de sintomas estranhos. Na época, o diagnóstico foi feitiçaria. Mas o verdadeiro motivo pode ter sido a comida.

Por Luisa Costa 25 nov 2022, 16h45 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h47
Como o pão de centeio pode ter causado os julgamentos das “bruxas de Salem” Priorizar nos meus resultados Google

Em 1692, começou a maior caça às bruxas da história dos Estados Unidos. Ela aconteceu, você sabe, em Salem: uma aldeia de puritanos que só se tornaria uma cidade, a 12 quilômetros ao norte de Boston, em 1836. Na época, mais de 200 pessoas foram acusadas de praticar bruxaria, das quais 25 morreram enforcadas ou na prisão.

O pânico tomava conta da população: as supostas bruxas poderiam, afinal, aterrorizar crianças, castrar homens, fazer pactos com demônios e tudo de ruim que existe. Era o que diziam os rumores. As autoridades locais confiavam em acusações infundadas, e assim aconteceram centenas de julgamentos – principalmente contra mulheres que sabiam fazer remédios caseiros, mendigavam nas ruas ou simplesmente eram pessoas à margem da sociedade.

Tudo isso começou quando Betty Parris e outras crianças de Salem começaram a apresentar convulsões, delírios e outros sintomas estranhos. Logo depois, outros moradores tiveram quadros semelhantes. O conhecimento que o médico de Salem tinha era… apropriado para uma aldeia dos EUA em 1692. Ou seja, não muito. Não deu outra: o diagnóstico das crianças? Feitiçaria.

Hoje ainda se questiona o que poderia ter acontecido com os moradores de Salem. O que seria a doença misteriosa, confundida com bruxaria? Em 1976, a pesquisadora americana Linnda Caporael, do Instituto Politécnico Rensselaer (Nova York), propôs uma explicação: centeio estragado.

Continua após a publicidade

Betty Parris e as outras pessoas com sintomas esquisitos estariam sofrendo com o ergotismo, uma intoxicação causada pelo consumo de produtos contaminados pelo fungo Claviceps purpurea – conhecido como “esporão do centeio”, de tão comum no cereal. A doença causa justamente convulsões, espasmos musculares e alucinações. Os mesmos sintomas que aconteceram em Salem.

Continua após a publicidade

O esporão do centeio pode aparecer no cereal depois de um inverno rigoroso e uma primavera úmida – condições climáticas que, como alguns historiadores afirmaram depois, combinam com o cenário de 1692 nos arredores da aldeia. Quando o fungo cresce na planta, substitui os brotos do grão por pequenas estruturas roxas escuras – que podem ser confundidas com brotos normais do centeio que ficaram muito tempo no sol.

A tese de Caporael é que o centeio produzido no ano anterior aos julgamentos de Salem estaria contaminado, mas foi consumido pela população local. Daí a doença que atingiu tantos moradores. Essa é uma teoria que ainda está sob debate, assim como outras hipóteses que procuram explicar o mal estar – há também quem aposte em uma combinação de asma e epilepsia, por exemplo. Nada de sobrenatural.

Continua após a publicidade

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com uma árvore estilizada em verde-claro ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).