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Arqueólogos descobrem nome de astrônomo do período maia

Novo estudo decifrou nome do primeiro astrônomo-matemático maia conhecido, Sak Tahn Waax, e uma complexa fórmula de 781 d.C.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 15 jul 2026, 19h00
Arqueólogos descobrem nome de astrônomo do período maia Priorizar nos meus resultados Google

A sociedade maia começou a se desenvolver na Mesoamérica antes do nascimento de Cristo. Com o tempo, tornou-se uma enorme civilização que, em seu auge, chegou a reunir milhões de pessoas espalhadas pelo território que hoje corresponde ao México, Guatemala, El Salvador e outros países.

Após mudanças na própria sociedade e a colonização espanhola, muitos aspectos dessa grande e poderosa civilização foram apagados e ainda permanecem um mistério. Uma dessas incógnitas envolve os astrônomos e matemáticos maias. Há evidências de seus calendários, dos estudos dos ciclos astronômicos, de cálculos avançados e de outras realizações. Mas muito desse conhecimento se perdeu ao longo da história, e o nome de nenhum desses gênios jamais havia sido descoberto – até agora.

Uma nova pesquisa, publicada esta semana no periódico científico Antiquity, conseguiu decifrar, pela primeira vez, o nome de um astrônomo-matemático maia que viveu no século 8. Especialistas de universidades dos Estados Unidos se debruçaram sobre uma pequena sala localizada no sítio arqueológico de Xultún, uma antiga megacidade maia com praças, uma pirâmide e outras construções. Ele está no norte da Guatemala, envolto pela selva de Petén.

Xultún é investigado desde a década de 1920, mas a sala foi descoberta apenas em 2010. Ela apresentava paredes com leves manchas que, à primeira vista, pareciam apenas sujeira. Na verdade, eram gravuras desgastadas com conteúdo ainda não decifrados. Ela acabou ficando um pouco de lado e era revisitada esporadicamente pelos pesquisadores ao longo dos anos.

Desenho esquemático de uma estrutura arquitetônica com paredes internas decoradas por figuras humanas e símbolos, e um detalhe ampliado de uma parede com textura rugosa e uma escala de cores Kodak
(photograph by F.D. Rossi; drawing by H. Hurst / Cambridge University Press/Reprodução)
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Com a ajuda de softwares que reforçaram as cores das pinturas, os pesquisadores perceberam que se tratava de 11 glifos e cerca de 50 microtextos matemáticos (pequenas inscrições com datas, números e cálculos).

Após uma longa investigação, que utilizou desenhos, fotografias aprimoradas digitalmente e outras ferramentas, a equipe identificou que se tratava de uma equação matemática. Datada de 781 d.C., calculava o tempo que Marte e Vênus levavam para retornar à mesma posição em relação ao Sol, completando seus ciclos. A inscrição continha apenas números e símbolos matemáticos, sem palavras.

“A matemática envolve sua compreensão singular das conexões e dos padrões entre vários ciclos de tempo, incluindo a contagem ritual de 260 dias, o ano solar e os ciclos de Vênus e Marte”, explica David Stuart, um dos autores do estudo, ao Science Alert.

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Os pesquisadores acreditam que essa fórmula pode ter servido de base para cálculos posteriores da civilização maia, como os presentes no famoso Códice de Dresden (representado na capa desta matéria), produzido séculos depois.

Mas as descobertas não param por aí. Ao lado da fórmula, estava um nome: Sak Tahn Waax, que significa “Raposa de Peito Branco”. Provavelmente, trata-se da assinatura ou do crédito dado ao autor da fórmula.

Comparação de escrita maia: à esquerda, uma inscrição antiga e desgastada em pedra; à direita, uma representação moderna e clara dos mesmos glifos com as sílabas che, he, na, wa, xi, SAK e TAHN ao lado, indicando a leitura fonética
(photograph by F.D. Rossi; drawing by H. Hurst / Cambridge University Press/Reprodução)
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Não é possível afirmar que Sak Tahn Waax tenha escrito a fórmula na parede com as próprias mãos. Uma possibilidade é que outra pessoa tenha registrado seus cálculos e atribuído os créditos ao autor. Outra hipótese é que alguém tenha escrito a fórmula e Sak Tahn Waax tenha reivindicado a autoria.

De qualquer forma, os pesquisadores descrevem que o ambiente funcionava como uma sala de escribas reais, uma espécie de escritório onde astrônomos realizavam seus estudos. Posteriormente, o local foi preenchido com lama e pedras pelos próprios maias, que construíram novas estruturas ao seu redor.

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