A origem peculiar da palavra “caderno” – que vem do número quatro
Até hoje, inclusive, os designers da Super dividem a revista em dois cadernos de 32 páginas para enviá-la à gráfica. Coincidência? Acho que não.
Para entender de onde vem a palavra “caderno”, é necessário voltar algumas páginas.
A palavra-mãe é “quatro” – que, no latim, tinha uma ortografia mais chique: quattuor. Também foi dela que nasceram vários outros vocábulos do nosso cotidiano, como “quadrado”, “quadro” e “quadra”. Em todos os casos, claro, a razão é que esses são objetos com quatro lados.
Os cadernos também têm vértices em perfeitos 90º, mas essa não é a razão do nome.
Do quatro, saiu quaternus, que significa “de quatro em quatro”. Durante a Idade Média, a matéria-prima dos bloquinhos eram folhas de papel grandonas dobradas em quatro partes – que só então eram empilhadas e amarradas pela lombada.
Até hoje os designers da Super utilizam a palavra “caderno” para se referir a cada grupo de 32 páginas que é enviado à gráfica. Note: um múltiplo de quatro. No mundo editorial, portanto, o significado original permanece. “Cadernos” ainda são as subdivisões de uma obra impressa na gráfica.
Gostou? Calma que tem brinde etimológico.
Sabe o xadrez? Pois é: ele tem uma espécie de avô indiano chamado chaturanga, em que chatur significa “quatro” e anga era o nome dado para as subdivisões das forças armadas indianas, que incluiam cavalos e elefantes (os cavalos permaneceram, os elefantes se tornaram bispos na versão europeia do jogo).
Note que chatur se parece um bocado com a palavra “quatro” se você ignorar o “h” e pronunciar só o “c”. Não é coincidência. O sâncrito e o latim derivam ambos de uma mesma língua pré-histórica, o protoindo-europeu. Existe, de fato, uma origem compartilhada entre as duas palavras.
Com a migração persa para a Índia, chaturanga virou al chatranj em árabe. Quando os árabes conquistaram a Península Ibérica, levaram o jogo que, em territórios espanhóis, virou ajedrez e, em português, xadrez.
P.S. Você pode anotar essas informações curiosas nos novíssimos cadernos da parceria da Super com a Jandaia. Além de capas lindas, eles vêm com o recurso JandaIA: um aplicativo que digitaliza o conteúdo das suas anotações a partir de fotos e usa uma inteligência artificial generativa, treinada apenas com fontes confiáveis, para tirar dúvidas e auxiliar nos estudos. A união perfeita entre o mundo escrito e o digital. Acesse este link para saber mais.






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