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Desigualdade de gênero em Hollywood piorou no último ano

Estudo anual da Universidade Estadual de San Diego aponta que a presença feminina atrás das câmeras diminuiu em relação a 2015

Por Jéssica Soares 13 jan 2017, 15h13 | Atualizado em 27 out 2020, 15h18
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Nos últimos anos, a desigualdade de gênero na indústria cinematográfica foi tema de muitos debates – aqui na SUPER já falamos um bocado sobre como há menos oportunidades para mulheres e para artistas negras e negros na telona (uma realidade que se repete na telinha). Atrizes falam menos e têm três vezes mais chances de ficarem nuas em cena (uma realidade que é ainda pior para as atrizes negras), e ainda que filmes com boas representações femininas tenham a mesma chance de sucesso de bilheteria, filmes liderados por elencos femininos tendem a ganhar notas piores de usuários e críticos homens.

Mas, ainda que o debate tenha ganhado mais espaço na mídia e nas rodas de conversa, isso ainda não se traduziu em equipes mais diversas. Em relação aos números de 2015, o cenário apresentou piora: o número de mulheres diretoras, produtoras, produtoras executivas, montadoras e diretoras de fotografia que integram as equipes dos filmes de maior bilheteria de Hollywood diminuiu em 2016. É o que aponta o estudo The Celluloid Ceiling, divulgado nesta semana.

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O relatório, realizado pelo Center for the Study of Women in Television and Film, da Universidade Estadual de San Diego (EUA), tem acompanhado a presença feminina nos filmes de maior bilheteria lançados em território estadunidense nos últimos 19 anos, sendo o mais longevo e mais abrangente estudo sobre a contratação de mulheres na indústria cinematográfica. E, ainda que possamos comemorar pequenos avanços ao longo das últimas quase duas décadas, mulheres ainda tem pouquíssimo espaço na indústria cinematográfica.

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“As atuais tentativas em pequena escala para combater o subemprego feminino, embora possam ser bem-intencionados e beneficiar um punhado de indivíduos, são ineficazes para lidar com a questão macro. Iniciativas como os programas de tutoria são simplesmente demasiado escassos para criar o tipo de mudança que é necessária. As mulheres que trabalham nos papéis-chave atrás das câmeras ainda não conseguiram se beneficiar do diálogo atual sobre diversidade e inclusão na indústria cinematográfica”, afirmou a Dr. Martha Lauzen, diretora executiva do grupo de pesquisa da Universidade Estadual de San Diego.

Desigualdade em números

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Em 2016, as mulheres somaram apenas 17% das 3.212 pessoas empregadas atrás das câmeras nos 250 filmes de maior bilheteria em solo americano. Isso significa que a presença feminina em cargos de direção, roteiro, produção, produção executiva, montagem e direção de fotografia teve uma diminuição de dois pontos percentuais em relação a 2015, e número equivalente ao identificado em 1998.
É na produção que as mulheres ocupam mais espaço, representando 24% dos profissionais (o que ainda é menos de um quarto do total, vale lembrar), seguidas por editoras (17%), produtoras executivas (17%) e roteiristas (13%). Como já mencionamos, na direção de fotografia as mulheres são pouco reconhecidas por seu trabalho e são também minoria – em 2016, representaram apenas 5% dos profissionais que integraram a equipe dos maiores 250 filmes do ano. Já as diretoras representaram apenas 7% dos profissionais contratados para a função, uma queda de também dois pontos em relação a 2015.

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O resultado não podia ser outro: em 2016, 34% dos 250 longas-metragens de maior bilheteria não contrataram produtoras; 58% não contavam com produtoras executivas; 77% não tinham roteiristas mulheres; 79% não tinham mulheres na equipe de montagem; 96% não deram espaço para nenhuma diretora de fotografia; e 92% dos filmes não tinham nenhuma diretora do sexo feminino.

Para quem ainda está na dúvida, fica aqui este dado: no ano passado, 35% dos filmes empregaram 0 ou apenas 1 mulher nos cargos analisados. A maioria dos longas, um total de 52%, empregou apenas entre 2 e 5 profissionais do sexo feminino – 10 ou mais mulheres foram contratadas em apenas em 2% das produções. Para efeitos de comparação, apenas 2% dos filmes empregaram 0 ou 1 homem para essas funções, enquanto 76% empregaram 10 ou mais profissionais do sexo masculino. Não está sendo fácil.

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O relatório também lançou um olhar sobre os TOP 100 e 500 filmes de maior bilheteria – e, nos dois recortes, a presença feminina apresentou o mesmo declínio de dois pontos percentuais. A análise também permitiu observar uma importante relação: filmes com pelo menos uma diretora empregaram maiores porcentagens de mulheres como roteiristas, montadoras, diretoras de fotografia e compositoras do que filmes com diretores exclusivamente do sexo masculino. Além disso, em filmes com pelo menos uma diretora, as mulheres ocuparam 64% dos cargos de roteiristas, 43% de montadores, 16% de diretores de fotografia e 6% de compositores – já em filmes apenas com diretores homens, as mulheres representavam apenas 9% dos roteiristas, 17% dos montadores, 6% de diretores de fotografia e 3% das compositores.

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O relatório completo pode ser acessado aqui.

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