Rascunho do documento final da COP26 propõe meta anual para reduzir emissões
Hoje (10) foi apresentada a primeira versão do documento que sumariza a Convenção de Mudanças Climáticas da ONU. O texto ainda pede o fim gradual dos combustíveis fósseis
A COP26, conferência do clima das Nações Unidas que acontece em Glasgow, na Escócia, chega a seus dias decisivos com a divulgação do primeiro rascunho de um documento final, que deve sumarizar os acordos entre os países. A declaração pede uma revisão anual das ações de cada país contra a emergência climática, além do fim gradual do uso do carvão e dos subsídios para combustíveis fósseis.
As medidas seriam um caminho para tentar sanar a lacuna que existe hoje entre os compromissos de longo prazo das nações do mundo – mirando datas como 2030 e 2050 – e o que está sendo efetivamente feito de ano a ano.
A raiz do problema é como manter um aumento da temperatura média do planeta (em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial) em até 2 ºC – e, se possível, impedir que esse aumento ultrapasse 1,5ºC, considerado o limite mais seguro para evitar mudanças perigosas no clima da Terra.
De um lado, os compromissos de longo prazo anunciados por países como Brasil e Índia colocam o mundo nos trilhos para um aquecimento de “apenas” 1,8 ºC – ainda longe do ideal, mas não desesperador. Mas a grande dúvida é se esses compromissos continuarão sendo cumpridos.
No ritmo atual de controle de emissões, levando em conta as metas mais críveis e próximas, o aquecimento chegaria a 2,4 ºC, ultrapassando um limiar perigoso para o sistema climático, segundo a maioria dos pesquisadores. A questão é como garantir que, independentemente de mudanças políticas e econômicas, a redução e eliminação do uso de combustíveis fósseis se mantenha durante as próximas décadas.
É aí que entra o atual rascunho do documento final da COP26. Ele pede que os países fortaleçam a ambição de reduzir as emissões até o fim de 2022. Propõe ainda que reuniões ministeriais de alto nível aconteçam todos os anos para manter a ambição ao longo do tempo.
Trata-se de uma revisão do Acordo do Paris, assinado em 2015, que previa um acompanhamento das metas propostas cada cinco anos. A avaliação dos coordenadores da atual COP é que o processo precisa seguir um ritmo mais acelerado.
Outro trecho importante do documento preliminar é o que fala em “acelerar o abandono do uso do carvão e dos subsídios para combustíveis fósseis”. Se a passagem for aprovada, será a primeira vez que algo assim entra nos documentos oficiais de uma COP. O carvão é proporcionalmente o mais poluente desses combustíveis, e os subsídios são uma razões que explicam a força do setor, apesar do barateamento constante das energias renováveis.
Por fim, o texto também propõe o dobro da ajuda financeira para países pobres se adaptarem aos efeitos da crise climática – passando, portanto, de US$ 100 bilhões anuais para ao menos US$ 200 bilhões.
É bom lembrar que tudo isso deve passar por intensa negociação nos próximos dias. As decisões das COPs só são atingidas se houver consenso de todos os países participantes.
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Carros sem queima de combustíveis fósseis
Entre as escassas boas notícias do dia está o compromisso de 24 países e de alguns fabricantes de veículos a zerar a fabricação de carros que usam combustíveis fósseis até “2040 ou antes”. As emissões de gases-estufa do setor de transportes correspondem a um quinto do total global, e a recomendação da Agência Internacional de Energia é que automóveis que usam esse tipo de combustível parem de ser vendidos para evitar mudanças climáticas perigosas.
A lista de signatários inclui Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Holanda, bem como alguns governos regionais e municipais. Entre os representantes da indústria automobilística, os principais participantes são Ford, Mercedes e Volvo. Por outro lado, ainda há muitas ausências importantes, como os gigantes EUA e Alemanha, a Volkswagen e a Toyota. As empresas não signatárias manifestaram dúvidas sobre a viabilidade de uma infraestrutura global para veículos sem combustíveis fósseis até a data acordada pelo documento.







