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Por que o transporte ferroviário é tão precário no Brasil?

Porque somos um país de estradas. Há mais de meio século, elas têm privilégios políticos e econômicos. Mas isso pode mudar

Por 28 abr 2013, 22h00 | Atualizado em 2 jul 2026, 18h01
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O País se afastou dos trilhos nos anos 1950, com o plano de crescimento rápido do presidente Juscelino Kubitschek, que priorizou rodovias. A construção de ferrovias era lenta para fazer o Brasil crescer “50 anos em cinco”, como ele queria. “Em seis meses, você faz 500 quilômetros de estrada de terra. Isso em ferrovia leva três anos”, diz Fabiano Pompermayer, técnico de planejamento e pesquisas do Ipea. Além disso, o lobby das rodovias foi forte. Desde a era JK, os investimentos e subsídios no setor são grandes, não só para abrir estradas como para atrair montadoras.

Outro responsável foi o café, em baixa desde os anos 1930. Ele era transportado principalmente por trens, então várias empresas férreas faliram com a falta de trabalho. Em 1957, o governo estatizou as companhias ferroviárias. Desde então, o foco é o transporte de carga. Por isso, em 2012, os trens carregavam só 3% dos passageiros do País (isso porque incluímos o metrô na conta). Mas, na próxima década, o cenário deve mudar.

Ascensão dos trens?

Maior capacidade
Trens são imbatíveis em carregar muita gente de uma vez. Uma única linha de metrô transporta até 60 mil passageiros por hora, enquanto um corredor de ônibus leva 6,7 mil. No Brasil, metrôs e trens tiram das ruas 14 mil ônibus e 1 milhão de carros ao dia. Com mais linhas, o efeito se alastraria para as rodovias.

Menos poluição

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Um trem lança na atmosfera dez vezes menos gás carbônico por tonelada do que um caminhão. Isso porque, no Brasil, trens usam uma mistura que tem 20% de biodiesel, enquanto caminhões costumam usar outra com 5%. Além disso, caminhão vira sucata cedo. Sua vida útil é de dez anos em média. A do trem, 30 anos.

 

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Rios e lagos pouco explorados

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O Brasil tem 29 mil quilômetros de rios e lagos naturalmente disponíveis para navegação, mas só usa 13 mil. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, o Brasil é provavelmente o país que tem a maior extensão de malha hidroviária a se expandir no mundo. Os planos de expansão do governo são bem menos ousados que os ferroviários, mas apenas com melhorias nas condições de navegação nas vias já existentes é possível duplicar a carga transportada, que hoje fica em torno de 12%.

Fontes: Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos; Associação Nacional de Transportes Aquaviários; Associação Nacional de Transportes Terrestres; Fabiano Pompermayer, técnico de planejamento e pesquisas do Ipea; Telmo Polito, professor da Escola Politécnica da USP; Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária.

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