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Por que sentimos vontade de apertar ou morder coisas fofas?

Não se preocupe, você não é o único que tem desejos agressivos diante de pelúcias: até onde os biólogos sabem, essa é uma reação normal à ternura excessiva.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 fev 2024, 10h57 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h57
Por que sentimos vontade de apertar ou morder coisas fofas? Priorizar nos meus resultados Google

Não há consenso. Humanos dão sinais externos contraditórios com frequência (como, por exemplo, quando choram de felicidade ou dão risada numa situação tensa). Acredita-se que a vontade de esmagar seu sobrinho ou um ursão de pelúcia se enquadre na mesma categoria.

A melhor hipótese dos neurocientistas é que a agressão funcione como mecanismo compensatório: o cérebro se vê tão sobrecarregado com uma sinalização de amor e afeto que tenta calibrar a si mesmo induzindo uma emoção oposta. 

A seleção natural teria propiciado a evolução desse traço justamente porque não basta nós acharmos nossos filhos fofos: precisamos protegê-los também. Um adulto que ficasse paralisado de fofura seria inútil – mas um adulto movido por ternura e uma pitada de ódio defende um bebê com ímpeto redobrado.

Sabe-se que certos traços físicos infantis (cabeça e olhos desproporcionalmente grandes, crânio arredondado, queixo e supercílio pouco salientes etc.) são universalmente capazes de despertar a emoção que chamamos de “fofura”, seja por bebês humanos, bebês de outros animais ou bichos de pelúcia e desenhos animados.

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Um estudo da Universidade da Flórida de 2018 revelou que o ápice da fofura dos cães, na opinião de voluntários humanos, ocorre entre 6,3 e 8,3 semanas de vida – que é justamente o período do desmame. Ou seja: eles têm traços mais atrantes para nós justamente quando estão prestes a sair debaixo da asa da mãe e precisam conquistar um humano para alimentá-los.

Essa foi uma observação feita originalmente pelo biólogo Konrad Lorenz que já foi comprovada por muitos outros experimentos similares e é explorada o tempo todo por quadrinistas, ilustradores etc. 

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Uma estratégia comum, entre os designers, é juntar traços de bebê com a pareidolia – aquele bug cognitivo que nos faz ver rostos em carros, torneiras e espuma de café. Vide o New Beetle: a Volkswagen pensou o modelo sabendo que nós interpretamos os faróis como olhos e o teto como crânio. Então, fez faróis enormes e teto arredondado para que você queira adotar um fusquinha emperiquitado.

Fonte: artigo “Understanding neural mechanisms of cute aggression”, de Katherine K. M. Stavropoulos e Laura A. Alba; artigo “Dog pups’ attractiveness to humans peaks at weaning age”, de Nadine Chersini e outros. 

Pergunta de @jvcalderaro, via Instagram.

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