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Por que roxo não é usado nas bandeiras de países?

A resposta é simples: era uma cor de tinta cara demais. Veja por quê.

Por Leo Caparroz 19 ago 2022, 10h06 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h42
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Porque, antes da invenção de corantes sintéticos, conseguir pigmento roxo era extremamente complexo – tornando o uso em milhares de bandeiras uma insanidade de tão caro. A fabricação dessa tinta era uma tradição da cidade fenícia de Tiro, no atual território do Líbano – tão famosa pela tecnologia que o pigmento acabou batizado de “púrpura tíria”.

A púrpura tíria fede a peixe, porque é extraída de glândulas de moluscos mediterrâneos da família Muricidae. Cada molusco gera algumas poucas gotas de secreção – então, para produção em escala comercial, eram necessários milhares de moluscos. 

Coletá-los também não era tarefa simples: a pesca exigia mergulhadores. Isso contribuiu para que a lã tingida com púrpura tíria valesse o seu peso em ouro. Assim nenhum país, por mais próspero que fosse, estava disposto a bancar as bandeiras roxas. Só os nobres, mesmo, conseguiam bancar o luxo. E bancavam: como tudo que é escasso, a púrpura tíria virou símbolo de status. 

O roxo era associado à realeza e à alta classe. Ele só perdeu seu glamour no século 19. Ao tentar sintetizar uma droga para combater a malária, o químico britânico William Perkin percebeu que o seu fracasso farmacêutico, misturado com o álcool que usava para limpar a bancada, produzia uma substância de tom púrpura intenso. Ele batizou o primeiro corante roxo sintético de mauveína e o patenteou em 1856, quando tinha 18 anos.

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A partir daí, ficou mais fácil: o roxo passou a ser produzido em massa, e todos podiam ter uma peça de roupa da cor. Só que, àquela altura do campeonato, a maioria dos países já havia consolidado suas bandeiras, ou então suas cores e símbolos nacionais. Apenas dois países com bandeiras recentes aderiram à cor roxa: Dominica e Nicarágua (nesse caso, escondida num arco-íris).

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Confira também alguns acontecimentos curiosos envolvendo a cor roxa:

 A rainha Elizabeth 1ª (1533–1603), da Inglaterra, decretou que o uso de seda púrpura era restrito a membros e parentes próximos da família real.

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O imperador romano Calígula (12–41) mandou executar um de seus parentes só porque suas vestes roxas chamaram muita atenção durante uma festividade.

Nero (37–68) fez uma tramoia para roubar comerciantes. Depois de proibir a púrpura tíria, mandou um homem traficar corante para os vendedores – e multou todos.

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Pergunta de Leonardo Caparroz, São José dos Campos, SP

Fonte: The Minoan Origin of Tyrian Purple, Robert R. Stieglitz

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