Por um misto de razões científicas e econômicas.
Diferentemente de bactérias (para as quais há várias vacinas, como a BCG), fungos são seres eucariontes – têm células com núcleo definido, envolto por uma membrana. Trata-se de uma estrutura complexa e parecida com a de células humanas – e isso dificulta a criação de imunizantes eficazes.
Além disso, infecções por fungos são muito mais comuns em pessoas com o sistema imunológico comprometido – que nem sempre podem tomar vacinas, já que mesmo versões atenuadas do patógeno poderiam causar infecções. E mesmo as que são elegíveis para o imunizante podem não desenvolver resistência, já que seus sistemas de defesa são menos eficazes.
Mas o principal motivo é que, historicamente, infecções fúngicas não são consideradas uma ameaça à saúde pública tão grande quanto as bactérias e os vírus – e por isso há pouco investimento em desenvolvimento e testagem de novas vacinas. Várias doenças que afetam humanos são causadas por fungos, como candidíase, mas, em pessoas saudáveis, a maioria dos casos é controlável com medicamentos antifúngicos.
Tanto que já há vários protótipos de vacinas anti-fungos criadas e testadas em animais, mas que ainda não avançaram para os testes clínicos com humanos (que são caros e demorados).
Nos últimos anos, porém, o cenário vem mudando. Assim como as bactérias desenvolvem resistência a antibióticos, muitos fungos estão ficando cada vez mais difíceis de se enfrentar com os medicamentos atuais, e o interesse em outras estratégias está aumentando. Em 2022, a OMS publicou uma lista de 19 fungos que representam uma ameaça para a saúde pública e pediu mais pesquisas e intervenções na área.
Talvez o fungo mais ameaçador atualmente seja o Candida auris, identificado pela primeira vez na Ásia em 2010 e que, desde então, já se espalhou pelo mundo. Ele afeta principalmente pessoas internadas em hospitais, causa infecção generalizada e é extremamente resistente aos remédios atuais. Por sorte, ainda não é tão comum (no Brasil, houve 114 casos confirmados até abril de 2025). Há vacinas testadas em animais contra ele.
Pergunta de @markshilda, via Instagram






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