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Por que algumas pessoas ficam vermelhas quando bebem?

Você pode até passar vergonha quando bebe, mas o rubor típico tem outra razão.

Por Bela Lobato 23 jun 2026, 14h00
Por que algumas pessoas ficam vermelhas quando bebem? Priorizar nos meus resultados Google

Isso acontece principalmente devido ao acúmulo de acetaldeído, uma substância tóxica que é produzida durante o metabolismo do álcool. 

Quando você coloca uma cervejinha para dentro, seu fígado começa a trabalhar para digerir o álcool. O primeiro passo é transformá-lo em acetaldeído. Aí, uma enzima chamada ALDH2 entra em ação imediatamente e transforma esse acetaldeído em acetato, que é inofensivo e eliminado pelo corpo.

Quando você se empolga e bebe em uma velocidade maior do que a que seu fígado consegue processar, o acetaldeído começa a se acumular no sangue. O corpo vê esse acúmulo como um tipo de ataque de toxinas e desencadeia uma resposta imune que libera histamina (a mesma substância envolvida nas reações alérgicas) na corrente sanguínea.

Tanto o acetaldeído quanto a histamina provocam vasodilatação, ou seja, fazem com que os vasos sanguíneos se relaxem e fiquem mais largos. Como a pele do rosto é cheia de pequenos vasos sanguíneos muito próximos da superfície, a dilatação faz com que um volume muito maior de sangue corra por ali de repente. Entra em cena o rubor facial, que deixa o rosto quente e costuma denunciar o consumo da bebida.

Algumas pessoas – especialmente do leste asiático – carregam uma variante genética chamada ALDH2*2, que reduz consideravelmente a atividade da enzima que “tira” o acetaldeído do sangue. 

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Esses quatro fatores de risco são responsáveis por 99% dos infartos.

 Por isso, nelas o rubor chega mais rápido, é mais intenso e pode se espalhar por todo o corpo. Elas enfrentam também outros sintomas que podem ser graves, como aceleração dos batimentos cardíacos, dores de cabeça e enjoo. 

Esse é o caso de algo entre um terço e metade das pessoas etnicamente chinesas, japonesas e coreanas – o que corresponde a 540 milhões de pessoas e 8% da população mundial (1).

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Quando combinada com o consumo regular de álcool, a variante genética também está relacionada a alterações cardiovasculares e metabólicas e a riscos significativamente maiores de câncer, especialmente de esôfago, cabeça e pescoço.

“A vermelhidão facial após o consumo de álcool não deve ser encarada apenas como uma reação ‘peculiar’, mas como um possível sinal biológico de maior vulnerabilidade aos efeitos tóxicos do álcool”, explica Gustavo Pereira, hepatologista e presidente do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro (GFRJ). “É sempre bom lembrar que não existe dose segura de álcool segundo a Organização Mundial de Saúde.” 

Pergunta de Evelin Morais, de Cláudio (MG).

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Fonte: artigo “The alcohol flushing response: an unrecognized risk factor for esophageal cancer from alcohol consumption”.

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