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Eu posso inventar um sobrenome para o meu filho?

Quando se trata dos termos que identificam sua ascendência, não dá para ser muito criativo.

Por Alexandre Carvalho 15 dez 2022, 20h13 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h42
Eu posso inventar um sobrenome para o meu filho? Priorizar nos meus resultados Google

Não dá para inventar sobrenomes para nossos descendentes – nem para nós mesmos. Um caso emblemático é o do artista plástico Romero Britto. Ele foi registrado como Romero da Silva Brito. Então, quando adotou seu nome artístico, dobrou o “t” do sobrenome. Sendo bem mais conhecido como Britto, esse recifense pediu retificação de registro civil: queria dobrar o “t” no RG também. Mas não rolou. A Justiça negou o pedido. 

Isso porque a regra é clara: seu sobrenome deve seguir o de seus genitores. Até porque ele tem uma função social. O Estado encontra no sobrenome um fator de estabilidade e segurança para identificar as pessoas, indicando de que família cada uma vem. 

E isso pode dar uma esticadinha até mais para cima da árvore genealógica. Uma alteração na lei, que aconteceu agora em 2022, permite que você dê ao seu filho só o sobrenome dos avós ou dos bisavós (será preciso apresentar documentação provando essa ascendência). Também é possível incluir no seu RG sobrenomes de outros ascendentes seus, mesmo que eles não constem do nome completo dos seus pais. 

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Modificações no sobrenome só podem ser feitas nas hipóteses legais, que incluem casamento, novo casamento, divórcio e se for uma criança sendo adotada legalmente por uma família. Vale também para casamentos homoafetivos, obviamente. E nos heteroafetivos o homem pode tranquilamente quebrar a tradição e adotar o sobrenome da esposa. 

Aliás, em caso de órfãos cujo sobrenome seja desconhecido, cabe a um juiz responsável escolher um. (Para os fãs da saga O Poderoso Chefão, vem logo à mente, no segundo filme, a cena em que o futuro mafioso, ainda menino, chega da Itália aos EUA sem conseguir falar; o profissional da imigração, então, identifica que ele vem da cidade de Corleone, e esse vira seu sobrenome.)

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Ah, mas e a Xuxa (nome de batismo: Maria da Graça Meneghel), que incluiu o pseudônimo artístico famoso no sobrenome dela? Não foi isso. O que a apresentadora fez foi adicionar ao seu prenome o apelido pelo qual todo mundo a conhece. E isso a lei permite. Desde junho de 2022, aliás, qualquer pessoa com mais de 18 anos pode trocar de prenome – inclusive substituindo-o por um apelido. Afinal, o propósito é ajudar na identificação da pessoa. 

Mas não pode ser criativo no sobrenome, pois a sociedade quer saber de onde você veio. No caso de Maria da Graça Xuxa, o sobrenome continua só “Meneghel”. 

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