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Bzzzzz

Por Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (ABELHA) Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A Terra é dos insetos, você só vive aqui porque eles deixam. Um blog para despertar a curiosidade de mamíferos que matam mosquitos e correm de abelhas.

Esta flor ouve abelhas chegarem – e aumenta o açúcar no néctar para recebê-las

A polinização é boa para as abelhas, que obtêm alimento, e para as plantas, cujo pólen pega carona nos insetos. Tão boa que, quando o polinizador está chegando, a Oenothera drummondii corre para preparar um agradinho.

Por Décio Luiz Gazzoni 22 jan 2021, 12h56 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h32
Esta flor ouve abelhas chegarem – e aumenta o açúcar no néctar para recebê-las Priorizar nos meus resultados Google

O texto é do convidado Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (ABELHA). Acesse o site.

A polinização no reino vegetal equivale ao ato sexual no reino animal: é o processo em que o gameta masculino encontra o feminino para a fecundação.

Algumas plantas se autopolinizam – não precisam de ajuda externa. Mas muitas espécies, no esforço de fazer o pólen alcançar as flores de outros indivíduos, contam com a ajuda do vento ou de animais como abelhas, morcegos, mariposas, borboletas e pássaros.

A capacidade das plantas de atrair e orientar os polinizadores é algo bem documentado pelos biólogos. Diversos estudos demostram que o formato e a cores das flores – bem como subsâncias voláteis que elas exalam – ajudam os animais voadores a localizá-las. E esses truques podem ser bem sofisticados.

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Em um artigo publicado em 2018, a equipe da bióloga Lilach Hadany, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, investigou uma possibilidade inesperada de interação entre flores e polinizadores: e se eles se comunicassem por sons? Para verificar essa hipótese, Hadany realizou experimentos com uma planta de nome científico Oenothera drummondii, conhecida como prímula-da-noite.

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Os pesquisadores exibiram sons variados a flores de prímula e observaram como a planta reagia. Começaram pelo ruído das asas de uma abelha em voo. Depois, emitiram sons sintetizados de uma frequência similar à produzida pelo voo das abelhas. Testaram ainda o silêncio, e também um som de frequência mais alta – que não se parecia em nada com o de uma abelha. 

Cerca de três minutos após a emissão dos sons, as flores aumentaram o teor de açúcares de seu néctar em até 30%. Mas não todos os sons: elas só responderam ao voo da abelha e à frequência artificial similar.

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O som de alta frequência não produziu qualquer efeito sobre as flores (e o silêncio, também não, o que descarta a possibilidade de que a elevação no teor de açúcar seja só uma coincidência).

O néctar é a principal fonte de água e nutrientes, principalmente carboidratos, para muitos animais. Essa substância valiosa é a retribuição das flores pelo serviço que os polinizadores realizam levando o pólen para lá e para cá – um acordo vantajoso para ambos, que evoluiu por seleção natural. 

O grupo de Hadany notou ainda outro comportamento interessante: após “ouvirem” o som de uma abelha real ou o zumbido artificial, as plantas vibravam, aparentemente sinalizando ao polinizador que perceberam sua aproximação – e que as flores logo estariam prontas para recebê-los com uma doce recompensa. 

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Agindo dessa forma, a planta não apenas atrai, mas fideliza os polinizadores – eles passam a visitar sempre a mesma flor, as flores da mesma planta ou até as flores de plantas da mesma espécie que estejam próximas (o que é ótimo para que aconteça um troca-troca de pólen satisfatório entre indivíduos). 

Se a intenção da planta fosse apenas “seduzir” o polinizador, ela poderia manter os níveis de açúcar altos constantemente. Mas isso traria um custo energético desnecessário.

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Assim, enquanto não há polinizadores por perto, o teor de açúcar do néctar permanece baixo – e a planta utiliza a energia excedente consigo mesma, evitando desperdício. Assim que os polinizadores se aproximam, o teor de açúcar aumenta. É a inteligência da natureza, com a qual ainda temos muito a aprender.

Este é o segundo post do blog Bzzzzz, em que pesquisadores membros do comitê científico da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (ABELHA) e outros cientistas colaboradores vão comentar a vida, os hábitos e a importância econômica de diversos insetos – além de nos atualizar sobre as mais recentes descobertas no campo desses pequenos artrópodes. Até a próxima!

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