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Bruno Garattoni

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Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.

Há três cenários possíveis para a Steam Machine. E nenhum deles é bom.

Preço astronômico do novo console de games da Valve, até US$ 1.428, é consequência da bolha da IA; veja o que pode acontecer com a máquina - e o que isso significa para a indústria de tecnologia

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jun 2026, 18h00
Há três cenários possíveis para a Steam Machine. E nenhum deles é bom. Priorizar nos meus resultados Google

A empresa americana Valve finalmente anunciou o preço de seu novo console/PC de games, a Steam Machine. E a cifra, mesmo que já se esperasse um valor alto, assustou: de US$ 1.049 a US$ 1.428. O valor mais baixo é para a versão com 512 GB de armazenamento, sem controle; a mais cara é para a versão de 2 TB, com um Steam Controller. 

A Valve culpou os altos preços das peças de computador, que estão em falta no mercado internacional devido à corrida da IA (a construção desenfreada de datacenters tem absorvido grande parte da produção global de memórias e SSDs). Mesmo cobrando caro, a Valve está tendo dificuldades em produzir uma quantidade razoável de Steam Machines – tanto que o lote inicial de consoles será comercializado através de um sorteio entre as pessoas que se inscreverem na pré-venda até amanhã.

Isso nos EUA. No Brasil, onde a máquina não será vendida oficialmente, ela deve chegar via importadores independentes, que certamente irão pedir preços astronômicos – algo em torno de R$ 10 mil, caindo para R$ 7 mil alguns meses depois, passada a euforia do lançamento. 

A Steam Machine é compacta, silenciosa e liga instantaneamente, como um console; mas também é um computador, ou seja, tem acesso a todas as lojas de games para PC (como Epic Games Store, Microsoft Store, GOG e Nuuvem, além da própria Steam), que costumam vender os jogos a preços bem mais baixos que as lojas dos consoles. 

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Ela oferece performance similar ao de um PlayStation 5 (seu hardware é um pouco superior, mas como os games são otimizados para o console da Sony, acaba dando meio que na mesma). É um desempenho ok para jogar em Full HD, mas só isso. Mil dólares é caro demais para o que a Steam Machine oferece – com esse dinheiro, dá para montar um PC bem superior (no Brasil, tendo R$ 7 mil ou R$ 10 mil, mais ainda). 

A Valve bobeou ao não assinar contratos com seus fornecedores “travando” o preço das memórias e dos SSDs (algo que Sony, Nintendo e Microsoft fazem durante o desenvolvimento dos seus consoles). Talvez ela até tenha feito isso, mas os fornecedores tenham decidido não honrar o acordo – preferiram pagar a multa, e lucrar mais vendendo os componentes para datacenters de IA. Jamais saberemos. 

O que está claro é que há três caminhos possíveis para a Steam Machine. O primeiro, mais provável, é flopar: ela vai vender pouco, só para fãs da Valve, e vida que segue. Se for assim, pena – a Steam Machine terá desperdiçado seu potencial de revolucionar o mercado de games. Mesmo com a entrada da China no setor de RAM, o preço das memórias deve levar anos para cair. Até lá, os componentes vão seguir custando fortunas. 

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Imagem, em fundo verde, de um console de vídeo game, em formato de cubo, e um joystick, ambos na cor preta.
(Valve/Montagem sobre reprodução)

O segundo cenário é: o mercado aceita e normaliza os preços altos, e a Steam Machine vende razoavelmente bem, 3 a 5 milhões de unidades. Isso é um perigo – porque a indústria de eletrônicos se sentirá à vontade para elevar seus preços a um novo patamar. Tudo será muito mais caro, e essa será a nova realidade do mercado. Viveremos uma situação parecida com a dos anos 1990, quando os computadores eram tão caros que as pessoas costumavam financiá-los em 24 ou 32 prestações – e existia até consórcio de PCs. Um horror.

O terceiro cenário é o estouro da bolha da IA. Os projetos não dão o retorno esperado, o financiamento começa a secar, a construção de datacenters é reduzida – e as ações das empresas de tecnologia, que tiveram valorizações astronômicas (os papéis da fabricante de SSDs Sandisk, por exemplo, subiram insanos 4.000% nos últimos 12 meses), passam a cair rapidamente.

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Ao mesmo tempo, há um verdadeiro dilúvio de hardware, com a produção global de memórias e SSDs sendo redirecionada dos datacenters para o mercado de PCs, consoles, smartphones e eletrônicos em geral – cujos preços serão forçados para baixo. Mas o estouro da bolha também teria um lado terrível: provavelmente mergulharia a economia global numa recessão. E aí os consumidores não sairão comprando consoles, PCs e smartphones, porque não terão dinheiro (ou estarão com medo de perder o emprego).

Também pode ser que a bolha não estoure, só desinfle (as ações das empresas-chave vêm dando sinais disso nas últimas semanas). E os fabricantes de memórias e SSDs cedam, mas não muito, tentando impor um novo patamar de preços. O tempo dirá. Mas o futuro próximo, seja qual for, não parece dos mais ensolarados. 

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