Veneno de aranha brasileira pode ajudar a tratar disfunção erétil
Apesar de letal, o princípio ativo dele pode melhorar a vida de muita gente
Aranhas assustam. Essa que você vê acima, uma espécie comumente encontrada no Brasil e conhecida como armadeira ou aranha-bananeira (Phoneutria nigriventer), é uma das mais venenosas do mundo. Além do veneno letal, ela é grande (possui em média 15 cm, quase o tamanho de uma mão humana), tem grandes quelíceras (presas) avermelhadas e impressiona pela agilidade.
Mas seu veneno também pode salvar. Ou, pelo menos, melhorar a vida de muita gente. É o que afirmam cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estão desenvolvendo uma droga baseada nesse veneno — e que promete ser mais eficaz que o Viagra.
A base de tudo é um composto chamado PnPP-19. Normalmente, a picada da Phoneutria nigriventer causa perda de controle muscular, levando a problemas respiratórios, paralisia e eventual asfixia. Mas, junto a isso, vem um efeito colateral peculiar: o priapismo, ereções anormalmente longas e doloridas que duram, em média, 4 horas — e podem levar à impotência. Segundo os pesquisadores, o veneno induz o relaxamento do tecido esponjoso nos órgãos sexuais, levando ao aumento do fluxo sanguíneo, causando uma ereção.
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No estudo, publicado no Journal of Sexual Medicine, os cientistas detalham os efeitos de uma versão sintética desse princípio ativo, que não apresenta toxicidade. Em testes com ratos e camundongos, a droga foi administrada com segurança por injeção ou via gel tópico — embora o gel testado apresente baixa permeabilidade, com apenas 10% da dose aplicada penetrando na pele. Não houve sinais de desconforto ou dano e a droga apresentou mais efeito do que o sildenafil (Viagra), sugerindo que poderia funcionar para homens que não tiveram sucesso com outras drogas.
Um dos principais pontos do novo estudo é que o composto se mostrou seguro em camundongos e ratos com hipertensão e diabetes, casos em que o sildenafil não é recomendado. Outra vantagem é a possibilidade de aplicá-lo topicamente. Testes com gels desse tipo estão sendo feitos desde o ano passado, mas os cientistas acreditam que o PnPP-19 pode dar uma contribuição que trará benefícios a uma maior quantidade de homens.







