Um golpe com a cauda destes dinossauros poderia atingir 100 km/h
Um novo estudo desmentiu a teoria de que o rabo da família dos diplodocos era capaz de quebrar a barreira do som – e fez uma estimativa mais realista do poder desse "chicote".
Imagine receber uma bofetada a 100 quilômetros por hora. O estrago seria grande. Imagine, então, se fosse a cauda de um dinossauro gigante – perda total. Segundo um recente estudo, publicado na revista Scientific Reports, essa era uma habilidade dos diplodocídeos, grupo de dinossauros de pescoço longo que inclui alguns dos maiores animais pré-históricos.
Esses dinos são parte do clado dos saurópodes e viveram durante o Jurássico Médio até o Cretáceo Inferior (174 milhões a 101 milhões de anos atrás). Alguns de seus representantes mais comuns são o diplodoco, o apatossauro e o brontossauro.
Examinando fósseis de cinco diplodocídeos diferentes, os pesquisadores criaram um modelo digital de uma cauda com aproximadamente 12 metros de comprimento, 1.5 tonelada e 82 vértebras para imitar o rabo que esses dinossauros teriam no passado.
Mas o objetivo não era apenas criar esse modelo. Os pesquisadores queriam por à prova uma antiga pesquisa, que afirmava que a cauda de um apatossauro era capaz de quebrar a barreira do som (1.216 km/h).
[abril-veja-tambem]W3sidGl0bGUiOiJFc3RhIGVzcMOpY2llIGRlIGRpbm9zc2F1cm8gdXNhdmEgYSBjYXVkYSBwYXJhIGx1dGFyIGVudHJlIHNpIiwiaW1hZ2VMb2FkZWQiOiIiLCJsaW5rIjoiaHR0cHM6Ly9zdXBlci5hYnJpbC5jb20uYnIvY2llbmNpYS9lc3RhLWVzcGVjaWUtZGUtZGlub3NzYXVyby11c2F2YS1hLWNhdWRhLXBhcmEtbHV0YXItZW50cmUtc2kvIiwiaGVhZGluZyI6IiIsImhlYWRpbmctbGluayI6IiJ9LHsidGl0bGUiOiJRdWFsIGEgZnVuw6fDo28gZGFzIGNhdWRhcyBkb3MgYW5pbWFpcz8iLCJpbWFnZUxvYWRlZCI6IiIsImxpbmsiOiJodHRwczovL3N1cGVyLmFicmlsLmNvbS5ici9tdW5kby1lc3RyYW5oby9xdWFsLWEtZnVuY2FvLWRhcy1jYXVkYXMtZG9zLWFuaW1haXMvIiwiaGVhZGluZyI6IiIsImhlYWRpbmctbGluayI6IiJ9LHsidGl0bGUiOiJDb21vIHNhYmVtb3MgZGUgcXVlIGNvciBlcmFtIG9zIGRpbm9zc2F1cm9zIHBhcmEgZGVzZW5ow6EtbG9zPyIsImltYWdlTG9hZGVkIjoiIiwibGluayI6Imh0dHBzOi8vc3VwZXIuYWJyaWwuY29tLmJyL2NvbHVuYS9vcmFjdWxvL2NvbW8tc2FiZW1vcy1kZS1xdWUtY29yLWVyYW0tb3MtZGlub3NzYXVyb3MtcGFyYS1kZXNlbmhhLWxvcy8iLCJoZWFkaW5nIjoiIiwiaGVhZGluZy1saW5rIjoiIn1d[/abril-veja-tambem]
Os caçadores de mitos
Nesse estudo, os cientistas usaram um modelo físico, feito de alumínio, aço, neoprene e teflon, que media 3,6 m e pesava 20 kg. Mas ela tinha problemas: pelas dimensões reduzidas do modelo da cauda, houve críticas de que ele talvez não fosse uma representação fiel.
Para construir o modelo digital, os cientistas do novo estudo foram atrás dos (poucos) registros de espécimes disponíveis – apenas dois dois tinham caudas completas, que poderiam ser usadas na pesquisa. Depois da coleta dos dados, eles criaram um modelo para tentar replicar os resultados da outra pesquisa.
Após a coleta dos dados e da construção do modelo, eles o colocaram em condições similares ao estudo anterior, numa tentativa de replicar os resultados. Mas não rolou: a nova cauda foi incapaz de ultrapassar a barreira do som. Ao ser forçada a chicotear a uma velocidade tão alta, ela não aguentou e quebrou.
“Provavelmente a falha foi causada pelos tecidos moles que conectam cada uma das vértebras da cauda, que incluem os diferentes músculos, tendões, ligamentos e pele”, afirma Simone Conti, principal autor do estudo. “Sempre que a simulação falhava, notávamos que a cauda do modelo não conseguia simular as articulações entre as vértebras e se esticava demais. Atingir velocidades tão altas tinha suas limitações, e eles não conseguiam lidar com movimentos tão rápidos e perdíamos pedaços da cauda.”
Conti chamou atenção para a interdisciplinaridade desse novo estudo, que pega recursos da engenharia aeroespacial e os aplica na paleobiologia.
“Não foram feitos muitos estudos usando esses métodos”, disse Conti. “Na engenharia aeroespacial, é comum testar partes de aviões para ver quanto estresse as estruturas podem suportar. Queríamos testar a mesma abordagem, mas em materiais orgânicos de animais. Não é comum ver a engenharia aeroespacial e a paleontologia trabalhando juntas.”







