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Tubarões testam positivo para cocaína e cafeína nas Bahamas

Descarte inadequado de esgoto contamina animais mesmo em regiões com pouca presença humana, revela pesquisa de brasileiros.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 26 mar 2026, 19h00
Tubarões testam positivo para cocaína e cafeína nas Bahamas Priorizar nos meus resultados Google

Um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil, do Chile e das Bahamas analisou amostras de sangue de 85 tubarões que nadavam perto de Eleuthera, uma ilha remota nas Bahamas. O que eles não esperavam era descobrir que 28 desses animais apresentavam algum tipo de droga em seu organismo, como cocaína, cafeína ou analgésicos.

Foram investigadas cinco espécies. Três testaram positivo para essas substâncias: o tubarão-recifal-do-caribe (Carcharhinus perezi), o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e o tubarão-limão (Negaprion brevirostris).

Os tubarões não tomam um cafézinho pela manhã ou usam drogas para se divertir, claro. A pesquisa, publicada no periódico científico Environmental Pollution, aponta que a presença dessas substâncias é consequência da poluição marinha, que já afeta até mesmo áreas consideradas preservadas.

O local em questão, apesar de afastado, é visitado por turistas para mergulho e está na rota de cruzeiros – e é desse contato relativamente pequeno com os humanos que surge o problema. Provavelmente, o esgoto não tratado de embarcações e outros resíduos humanos foram despejados no mar. Esse lixo líquido contém produtos farmacêuticos e outras substâncias, como drogas ilícitas. Classificadas como contaminantes de preocupação emergente (CECs), elas interferem fortemente no ambiente marinho.

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O estudo aponta que o contato com essas substâncias pode aumentar o estresse e o gasto energético dos tubarões, já que o organismo precisa ativar processos de desintoxicação. Os indivíduos contaminados apresentaram alterações em marcadores como triglicerídeos, ureia e lactato.

A cafeína foi a mais detectada. Além dela, também foram identificados paracetamol e diclofenaco. A maior surpresa veio de dois tubarões que testaram positivo para cocaína. Os cientistas levantam a hipótese de que eles tenham mordido pacotes da droga descartados no oceano.

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Esta é a primeira vez que a cafeína é identificada em tubarões. Também é o primeiro registro de cocaína em tubarões nas Bahamas – a substância já havia sido detectada em animais no Brasil.

Ainda faltam estudos que investiguem, de forma mais aprofundada, os possíveis efeitos de analgésicos, drogas e outros contaminantes na saúde dos animais marinhos e no equilíbrio do ecossistema. Este é um dos poucos artigos que abordam o tema.

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Os pesquisadores defendem estratégias de gestão de resíduos e conservação ambiental, além da realização de mais estudos para entender o escopo do problema.

A pesquisa contou com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade Federal de Pernambuco e de outras instituições brasileiras.

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