Teoria musical é intuitiva – mesmo para quem não entende do assunto
É o que defende um novo estudo, que colocou amadores para improvisar melodias – e conferiu que eles conseguiam seguir escalas musicais comuns.
Você sabe mais sobre música do que imagina e pode improvisar melodias surpreendentemente coerentes. É o que mostrou um novo estudo que investigou até as habilidades de amúsicos – pessoas com um distúrbio que prejudica a percepção musical.
Pesquisadores do departamento de psicologia da Universidade de Montreal (Canadá) juntou 33 pessoas para a investigação – todos moradores de Quebec, 18 com amusia congênita. Os cientistas instruíram os voluntários a inventar uma série de melodias, cantando apenas com a sílaba “da”.
Em cabines de isolamento acústico, as pessoas fizeram aquecimentos vocais e cantaram coisas bem conhecidas, como “Parabéns para você” – etapas que serviram para checar as habilidades de canto dos amadores.
Então veio a parte principal: cada voluntário improvisou 28 canções, dançantes ou reconfortantes, de amor ou de ninar. Tudo isso foi feito com as sequências de “da”, em diferentes tons, que deviam transmitir o sentimento desejado.
A ideia dos pesquisadores era conferir se os participantes inventariam melodias que obedecessem a escalas usadas na música ocidental – seguindo determinada hierarquia entre as notas e o retorno à tônica (a primeira nota da escala) ao final da melodia.
Com a ajuda de um algoritmo, a dupla responsável pelo estudo comparou cada melodia dos voluntários à escala musical mais próxima – e percebeu que as sequências de notas de todos os participantes (mesmo os que apresentavam amusia) encaixavam melhor nas escalas do que sequências de notas aleatórias.
Entre as escalas, estavam maiores e menores, muito comuns na cultura ocidental e geralmente associadas com músicas alegres ou tristes, respectivamente. Toda escala maior tem uma escala menor relativa, que parte de sua sexta nota – a relativa da escala de Dó Maior (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó), por exemplo, é a escala de Lá Menor (lá, si, dó, ré, mi, fá, sol, lá). Confira abaixo como elas soam:
Os resultados não têm nada de sobrenatural: estamos tão acostumados com algumas regrinhas de composição musical que as reproduzimos nas melodias que inventamos (nos mantendo dentro de uma escala para transmitir determinado sentimento, por exemplo).
Mas o experimento da improvisação, em si, foi inovador. “As descobertas provam que a improvisação pode servir como um método novo e até agradável para medir aspectos ocultos da musicalidade em todo o espectro da habilidade musical”, escrevem os pesquisadores.
O estudo foi publicado no último mês de julho, na revista Scientific Reports.






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