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Talvez pombos sintam o campo magnético da Terra com seus fígados

Células ricas em ferro no fígado podem ser a bússola interna que orienta os pombos pelo mundo

Por Bela Lobato 2 jun 2026, 18h00 | Atualizado em 3 jun 2026, 14h14
Talvez pombos sintam o campo magnético da Terra com seus fígados Priorizar nos meus resultados Google

Animais usam vários sentidos para se orientarem no mundo. Nós, primatas, somos muito dependentes da visão. Já nossos pets, cães, conhecem bem o mundo com seus olfatos. Há ainda peixes que “enxergam” com a corrente elétrica, e focas que usam os bigodes para sentir movimentos na água. 

As pombas são conhecidas por serem fieis ao local onde nasceram, e geralmente conseguem retornar, viajando centenas de quilômetros por dia. Esse é o princípio que as tornou animais tão úteis como mensageiras, por exemplo. Sabe-se que elas são capazes de detectar o campo magnético na Terra, usando-o como uma bússola. 

Mas, até então, não há consenso sobre como isso acontece na prática. Será que os sinais magnéticos são percebidos por moléculas sensíveis à luz em seus olhos? Há quem sugira ainda que a detecção ocorra no bico ou no ouvido interno. Um novo estudo, publicado na revista científica Science, sugere que a detecção magnética ocorre a partir de células no fígado desses animais.

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Especificamente, são um tipo de macrófagos, células imunes especializadas em quebrar glóbulos vermelhos e armazenar ferro. Para testar se elas influenciavam no senso de localização dos animais, os cientistas as retiraram temporariamente de alguns pombos e deixaram-nos voar. 

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“Tínhamos algumas pistas de que o fígado e o baço possuem propriedades magnéticas, pois são responsáveis pela degradação dos glóbulos vermelhos e, por isso, armazenam grande quantidade de ferro no organismo”, afirma Clivia Lisowski, principal autora do estudo, em comunicado.

Os resultados parecem confirmar a teoria. De todos os tecidos examinados, o fígado apresentou a maior concentração de ferro.

“O ferro está cristalizado em nanopartículas de óxido, tornando as células superparamagnéticas e reativas a campos magnéticos. Encontramos, de longe, a resposta magnética mais forte no tecido hepático”, acrescenta o coautor Ulf Wiedwald.

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Os pesquisadores acreditam que outras aves e animais, como ratos, poderiam se orientar usando um GPS magnético semelhante. No entanto, especialistas externos afirmam que são necessárias mais pesquisas para confirmar que os pombos realmente se orientam dessa forma e para esclarecer como esses sinais chegam ao cérebro. 

Embora os pesquisadores tenham encontrado o sinal magnético mais forte nos fígados dos pombos, essas células imunológicas também foram identificadas em outras áreas, incluindo o bico e o baço. Como, no fígado, as células imunológicas estão localizadas perto das fibras nervosas, pode ser que seja assim que elas transmitem seu ‘sentido magnético’ ao cérebro.

É possível que vários fatores interajam para a magnetorecepção dos pombos, sem uma resposta única, afirmam o patologista veterinário Simon Spiro e o biólogo Hal Drakesmith em um editorial que acompanha o estudo. 

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As aves poderiam usar técnicas diferentes para detectar campos magnéticos dependendo da tarefa, seja viajar longas distâncias ou encontrar um destino específico.

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