Quem foi Che Guevara? Conheça a história e o legado do revolucionário
Médico argentino atravessou a América de motocicleta e moldou a política do século 20.
Ernesto Guevara de la Serna, mundialmente conhecido como Che Guevara, é uma das figuras mais emblemáticas e controversas da história do século 20. Este revolucionário argentino desempenhou um papel crucial na instauração de um regime unipartidário e socialista em Cuba, que perdura até os dias atuais.
Para muitos, Che é um mártir que desafiou ditadores e o imperialismo dos EUA, lutando por sociedades mais justas em países como Guatemala, Congo e Bolívia. Contudo, sua imagem também é associada a um guerrilheiro obstinado pela violência, que utilizou métodos polêmicos, incluindo a perseguição e execução de opositores, para alcançar seus objetivos. Documentos indicam seu envolvimento em 144 mortes e a responsabilidade pela prisão irregular de 30 mil pessoas.
Independentemente da perspectiva, Che Guevara permanece um ícone cultural global, um símbolo de rebeldia presente em camisetas, pôsteres e diversas formas de arte.
A HISTÓRIA DE UM MITO
Nascido em 1928 na Argentina, Ernesto Guevara, oriundo da classe média, inicialmente buscou a medicina. Em 1951, interrompeu seus estudos para uma jornada transformadora pela América Latina em uma motocicleta Harley-Davidson, ao lado do amigo Alberto Granaldo.
Essa viagem expôs o jovem médico às profundas desigualdades sociais e à pobreza da região, moldando sua visão de mundo. No Peru, por exemplo, o encontro com o Dr. Hugo Pesce, membro do Partido Comunista e cuidador de leprosos, consolidou sua convicção de que a verdadeira cura para os males sociais residia na luta contra as injustiças políticas.
Após concluir seus estudos, Che Guevara viajou para a Guatemala, onde a derrubada do presidente por um golpe orquestrado pela CIA o impulsionou ainda mais para o ativismo revolucionário, tornando-se um oposicionista fervoroso dos EUA.
No México, conheceu Fidel Castro e seu irmão Raúl e ingressou no Movimento 26 de Julho, que planejava tomar o poder em Cuba, então sob a ditadura de Fulgêncio Batista. Em 1956, 82 guerrilheiros navegaram do México até lá, mas foram atacados na costa – a maioria morreu. Che se feriu, mas sobreviveu e seguiu com o grupo para as montanhas de Sierra Maestra.
DA REVOLUÇÃO À LUTA GLOBAL
Entre 1956 e 1958, o grupo de Che e Fidel cresceu, culminando na vitória da Revolução Cubana em 1959 com a tomada de Santa Clara e Santiago de Cuba, forçando a fuga de Batista e a subsequente entrada em Havana. Che Guevara assumiu diversos cargos no novo governo cubano e viajou o mundo como embaixador, promovendo os ideais da revolução e consolidando sua posição como figura chave do regime.
Em 1965, após a Crise dos Mísseis e, segundo algumas fontes, divergências estratégicas com Fidel, Che deixou os postos burocráticos para retomar a luta armada. Primeiramente no Congo, liderando guerrilheiros contra o ditador Joseph Mobutu, e depois, disfarçado, na Bolívia em 1966. Lá, tentou criar um novo foco de guerrilha contra a ditadura de René Barrientos, apoiada pelos EUA, que forneceram armas e treinamento às forças bolivianas.
O Exército boliviano, com o apoio norte-americano, atacou o grupo de Che Guevara. Ferido e capturado, ele foi executado em 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, pelo tenente Mario Terán. Suas mãos foram cortadas e enviadas à CIA para confirmação de identidade.
O local de seus restos mortais permaneceu um mistério por 30 anos, até serem encontrados em uma vala na selva boliviana.
Este conteúdo foi produzido com o auxílio de inteligência artificial e revisado por jornalistas. Trata-se de uma atualização de reportagem publicada por Anna Carolina Rodrigues para a Mundo Estranho em 2014.







