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Por que os gatos sempre caem em pé, segundo a ciência

De acordo com um estudo conduzido no Japão, o segredo está na flexibilidade da coluna felina.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 11 mar 2026, 19h00

Uma das características mais impressionantes dos gatos é sua aterrissagem praticamente perfeita. Foi justamente essa habilidade que inspirou o ditado popular “gato sempre cai de pé”, usado para se referir a pessoas que, assim como esses animais, conseguem sair ilesas (ou com poucos danos) de situações difíceis.

A explicação por trás dessa capacidade ainda era debatida pelos cientistas – e acabou de ser desvendada por um estudo da Universidade de Yamaguchi, no Japão.

Publicado no periódico científico The Anatomical Record em fevereiro deste ano, o trabalho aponta que um dos fatores chave está na coluna vertebral dos gatos, que tem uma flexibilidade peculiar.

Enquanto a região superior e intermediária da coluna – a coluna torácica – apresenta uma grande flexibilidade, a parte inferior (lombar) é mais rígida. Essa combinação ajuda o animal a controlar o movimento do corpo durante a queda, que é digna de filmes de Hollywood.

Funciona assim: No ar, o gato gira a cabeça e as patas dianteiras em direção ao chão. O movimento é facilitado pela flexibilidade de sua coluna torácica e pelo peso relativamente menor da parte frontal do corpo. A região lombar, mais rígida, ajuda a estabilizar o giro. Logo depois, a parte traseira acompanha essa rotação. 

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Quatro imagens de um gato caindo em pé.
(Yasuo Higurashi/The Anatomical Record/Reprodução)

Assim, o gato torce o corpo em um movimento sequencial e ajusta rapidamente sua posição, ficando com as patas voltadas para baixo antes de atingir o chão.

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Aquilo que parecia desafiar a lei da gravidade é uma manobra precisa da anatomia dos gatos. Cada região da coluna se move de forma diferente, em um mecanismo que ajuda a reduzir o risco de ferimentos durante a queda.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores analisaram a coluna vertebral de cinco gatos mortos, realizando testes mecânicos de força, flexibilidade e resistência.

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Além disso, foram gravados vídeos em câmera de alta velocidade de dois gatos caindo sobre uma almofada, a partir de uma altura de um metro. Os animais usavam marcadores corporais para monitorar os movimentos.

As gravações mostraram que a parte frontal do corpo gira alguns milissegundos antes da traseira, sugerindo o movimento sequencial.

Os cientistas também identificaram uma espécie de “zona neutra” na coluna torácica, que permite que os gatos girem cerca de 50° com pouco esforço. Isso é até três vezes mais do que a região lombar consegue girar.

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A expectativa é que os resultados ajudem a aprimorar modelos biomecânicos de movimento animal e até contribuir para o tratamento de gatos com problemas na coluna vertebral.

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