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Por que os animais se comportam de forma estranha durante um eclipse solar?

Um novo estudo traz uma resposta inusitada: talvez o culpado não seja o céu, mas o ser humano.

Por Amanda Nascimento 24 jul 2026, 11h33
Por que os animais se comportam de forma estranha durante um eclipse solar? Priorizar nos meus resultados Google

Menos de três semanas nos separam do próximo eclipse solar total, que deve alinhar o Sol e a Lua durante alguns minutos do dia 12 de agosto. O fenômeno deve atravessar parte da Europa, passando pela Groenlândia, Islândia, Espanha, e parcialmente atingir o Atlântico Norte e o Norte da África. A magnitude de eventos como esses, além de impressionar, costuma causar um comportamento um tanto estranho nos animais em volta. 

Pássaros param de cantar, primatas tornam-se inquietos e insetos mudam o curso de suas atividades. Em zoológicos, as reações são ainda mais fascinantes. Elefantes, gorilas e flamingos dirigem-se aos seus abrigos, antecipando o descanso habitual do fim do dia. Babuínos amontoam-se e algumas girafas galopam de forma inusitada. Mas por quê?

Até agora, pesquisadores correlacionavam o comportamento ao relógio biológico desses animais. Eles dependem de um ciclo de 24 horas, conhecido como ritmo circadiano, para controlar comportamentos diários como dormir, buscar alimento e caçar. A maioria tem seus ciclos baseados na luz solar – então, quando a escuridão causada pelo eclipse chega, eles tendem a se comportar como se fosse noite. 

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A hipótese é bem plausível, claro. Mas um novo artigo publicado na revista Zoo Biology indica que esse não seria o único fator para explicar o fenômeno. 

Na verdade, pode ser que o comportamento estranho durante eclipses solares venha primeiro de nós, humanos. E nossa estranheza, em contrapartida, pode influenciar o comportamento animal. 

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Por trás do estudo 

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Um grupo de pesquisadores observou um zoológico canadense durante o eclipse solar total que ocorreu em 2024, quando o local estava fechado para visitantes. Curiosamente, a maioria dos animais apresentou poucas reações ao fenômeno celeste. Isso, acreditam os cientistas, se deve a ausência dos humanos.

As exceções foram os macacos-japoneses, que se deslocaram para partes mais altas dos galhos, e as zebras, que tiveram um aumento nos sinais de estresse (mas retornaram ao padrão habitual logo demais). 

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A partir disso, os pesquisadores formularam uma nova hipótese. Segundo essa explicação, as reações dos humanos ao eclipse – aplaudindo, vibrando, vestindo óculos especiais e se aglomerando para olhar o céu – pode ter algum efeito sobre os animais.

Um outro grupo, da North Carolina State University, chegou a conclusões similares. Em 2017, o biólogo Adam Hartstone-Rose foi convidado para observar como os animais locais reagiriam ao evento. Naquele dia, o zoológico de Columbia, na Carolina do Sul, estava lotado de visitantes ansiosos para ver o eclipse. 

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Ao contrário do que esperava, ele observou muitos comportamentos animais inesperados e incomuns, descritos em um artigo de 2020. À época, ele considerou a possibilidade de que alguns animais poderiam ter se assustado com as pessoas. 

“Os animais que fazem as coisas mais estranhas durante um eclipse, de longe, são as pessoas”, disse Hartstone-Rose à Scientific American. “Não paramos para pensar nisso, mas os animais do zoológico percebem o que está acontecendo com os humanos, assim como os humanos percebem o que está acontecendo com os animais”, observa.

Em 2024, o pesquisador fez um experimento no Zoológico de Fort Worth, no Texas. O público no zoológico era menor do que em 2017, e as reações dos animais foram mais contidas. Já o zoológico de Dallas, segundo ele, sediou um evento maior, com grandes multidões, e os animais reagiram “com muito mais intensidade” durante o eclipse.

Estudar o comportamento animal durante eclipses é uma tarefa difícil. O fenômeno total acontece, em média, a cada 18 meses em algum lugar do planeta, mas é raro passarem pelo mesmo ponto — como é o caso do Brasil, que não vê um eclipse solar total desde 1994. Além disso, eles duram pouquíssimos minutos: o maior eclipse solar deste século deve durar até 6 minutos e 23 segundos. Ele acontecerá em 2 de agosto de 2027 e será visto em uma estreita faixa que passa pelo Norte da África, o extremo sul da Espanha e partes da Península Arábica.

O próximo passo, na opinião de especialistas, seria a padronização da metodologia para avaliar o comportamento dos animais nesses eventos, como definir o que seria fora do comum e criar um plano de fazer observações em diferentes partes do mundo. 

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