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Pela primeira vez, cientistas encontram molécula de carbono no espaço

Graças ao telescópio James Webb, o cátion metila (CH3+), pecinha vital para a formação de vida como a conhecemos, foi achado a 1.350 anos-luz de distância da Terra.

Por Leo Caparroz 27 jun 2023, 19h40 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h53
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O telescópio espacial James Webb ataca novamente. Por meio do equipamento, uma equipe internacional de cientistas foi capaz de detectar uma molécula de carbono no espaço. A descoberta foi publicada no início de junho na revista Nature.

É a primeira vez que o cátion metila (CH3+) é encontrado fora da Terra. Trata-se de um

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composto essencial para a formação de moléculas mais complexas de carbono – a base para a vida orgânica como a conhecemos. O achado pode ajudar pesquisadores a entenderem mais sobre a formação da vida na Terra – e como ela poderia se desenvolver em outros planetas.

O CH3+ foi encontrado em um jovem sistema estelar na nebulosa de Órion, a 1.350 anos-luz de distância de nós – mais especificamente, no disco protoplanetário d203-506. Discos protoplanetários são punhados de materiais sólidos que orbitam em torno de um estrela. No futuro, esses sólidos irão se aglutinar a ponto de formar um protoplaneta (que, por sua vez, ficará cada vez mais denso até que possa ser chamado, enfim, de planeta).

A estrela do sistema é uma anã-vermelha (uma classe modesta, com no máximo 50% da massa do Sol). Mas a região também é bombardeada pela forte luz ultravioleta vinda de estrelas mais jovens, maiores e mais quentes nas proximidades. A radiação UV normalmente destrói moléculas orgânicas complexas – o que faz a descoberta de

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CH3+ ser ainda mais surpreendente.

A hipótese dos cientistas é que a radiação também forneça a energia necessária para a formação da molécula. Uma vez completo, o cátion metila pode promover reações químicas adicionais para construir moléculas de

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carbono mais complexas. Ele reage bem com diversas moléculas, o que o torna uma peça central para a química orgânica no espaço.

A equipe também observou diferenças gerais nas moléculas encontradas em d203-506, que fogem do esperado em discos protoplanetários – como a falta de qualquer sinal de água, principalmente.

“Isso mostra claramente que a radiação ultravioleta pode mudar completamente a química de um disco protoplanetário. Na verdade, pode desempenhar um papel crítico nos primeiros estágios químicos das origens da vida”,

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afirma Olivier Berné, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica em Toulouse, principal autor do estudo.

Obrigado de novo, Jaiminho

As capacidades singulares do

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James Webb (Jaiminho, pros íntimos) o tornaram ideal para procurar por moléculas como o CH3+. O telescópio é 100 vezes mais potente que o seu antecessor, o Hubble. Graças ao enorme tamanho de seu espelho (25 m2, contra 4,5 m2 do Hubble), o Webb pode coletar mais luz – e, assim, produzir imagens mais detalhadas.

O Webb detecta um espectro da luz diferente do que nossos olhos podem ver. A luz que nós enxergamos tem comprimento entre 380 e 700 nanômetros (a milionésima parte de um milímetro). As mais compridas são vermelhas; as mais curtas, violetas. Fora desses limites estão as faixas ultravioleta e o infravermelho, que já não conseguimos enxergar.

O trunfo do James Webb é captar com maestria ondas infravermelhas. O motivo? A luz dos corpos celeste mais afastados chega nessa faixa. Depois de percorrer vários anos-luz até nós, a luz perde força e sai do espectro visível (caindo no infravermelho).

É por causa disso que um dos objetivos do James Webb é ser uma espécie de arqueólogo espacial: enxergar estrelas e galáxias  de bilhões de anos atrás para entender a formação do Universo. Para saber mais sobre como ele funciona, confira esta reportagem da Super.

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