Orcas australianas têm “sotaque” diferente — ouça
Segundo pesquisadora, é possível diferenciar os animais da Austrália de outras regiões do mundo somente pelo som que emitem.
Assim como é fácil para um brasileiro identificar o sotaque do português de Portugal, os ingleses e americanos também reconhecem o inglês australiano. E isso acontece até mesmo entre os animais – pelo menos com as orcas. Segundo uma série de estudos da Universidade Curtin, na Austrália, as orcas do oeste do país também podem ser diferenciadas por seu “sotaque”.
A pesquisa é conduzida pelo Projeto Orca, do centro de biologia marinha da universidade. Ele estuda vocalizações das orcas há dez anos, mas há apenas cinco começou a observar os mamíferos da sub-bacia de Bremer, onde o diferencial foi detectado.
Os chamados e assobios das orcas dessa região são ligeiramente diferentes de outras partes do mundo, como se fosse um dialeto. Eles não se diferenciam tanto a ponto de serem considerados uma nova “língua”, por isso a pesquisadora Rebecca Wellard, líder do estudo, prefere classificá-los como um “sotaque”.
Para quem não está acostumado a ouvir os sons dos mamíferos marinhos diariamente, pode ser difícil notar a diferença entre os chamados, mas Wellard garante que consegue identificar a orca australiana só pelo ouvido. Caso queira testar sua audição, compare os sons dos animais das ilhas San Juan, nos Estados Unidos, e da Austrália no vídeo abaixo.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=23&v=LXgGm4fGSs8
Não dá para saber exatamente o que elas estão dizendo, mas os biólogos conseguem identificar o tipo de chamado com base no comportamento e no contexto em que ele é utilizado. Por exemplo, um mesmo som pode ser usado para indicar perigo entre as orcas de todo o mundo — mas as australianas têm uma “pronúncia” ligeiramente diferente.
Segundo a pesquisadora, o que muda de uma região para outra é a estrutura do chamado. Os sons são gravados utilizando um microfone submarino, também conhecido como hidrofone. Essas gravações são analisadas em laboratório para medir alguns parâmetros, como frequência máxima e mínima do som. Ao todo, são mais de 20 características detectadas em cada chamado.
Depois de tudo isso, os dados da Austrália são comparados com outras regiões, principalmente Estados Unidos
, que têm maior tradição no estudo desses animais. Por lá, as populações de orcas vêm sendo monitoradas há mais de 40 anos.
Wellard ressalta a necessidade de mais estudos e anos de monitoramento para compreender as características e o estado de saúde das orcas do oeste da Austrália, a maior concentração do país. Quem sabe outras “variantes regionais” possam ser descobertas.






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