“Necrobótica”: Aranhas mortas viram garras mecânicas em laboratório.
Com uma seringa cheia de ar, pesquisadores acionaram uma câmara que comanda a movimentação das pernas das aranhas.
O laboratório de Daniel Preston, na Universidade Rice (Estados Unidos), está cheio de pequenos cadáveres de aranhas-lobo. Ele e a estudante de engenharia Faye Yap transformaram os aracnídeos em garras mecânicas, dando início à chamada “necrobótica” – junção de “necro”, cadáver ou morte, e “robótica”.
“O conceito de necrobótica aproveita designs únicos criados pela natureza que podem ser complicados ou até impossíveis de replicar artificialmente”, eles explicam no estudo publicado na última segunda-feira (25) na revista Advanced Science.
Os pesquisadores inseriram uma seringa no cadáver para injetar ou retirar ar de uma câmara próxima à cabeça das aranhas, que comanda a movimentação de suas pernas. Assim, mostraram que uma aranha morta poderia manusear objetos pequenos e eletrônicos delicados – e suportar o peso de outra aranha do mesmo tamanho. Confira o vídeo:
As aranhas funcionariam como garras mecânicas e poderiam ser usadas na manipulação de microdispositivos eletrônicos. Como são biodegradáveis, reduziriam a quantidade de resíduos na robótica.
Uma desvantagem do mecanismo é que a aranha começa a sofrer desgastes após mil ciclos de abertura e fechamento das pernas. “Achamos que isso está relacionado a problemas de desidratação das articulações”, explica Preston em comunicado. “Achamos que podemos superar isso aplicando revestimentos poliméricos [ao cadáver].”
Aranhas e pressão hidráulica
O projeto começou em 2019. Na época, Faye prestou atenção em uma aranha morta no chão da universidade, que estava com as pernas curvadas, e se perguntou por que o animal ficava nessa posição. A resposta está em sua anatomia.
As aranhas não têm pares de músculos opostos, como nós. Em humanos, o bíceps e o tríceps, por exemplo, trabalham em conjunto para dobrar e estender o braço. As aranhas só têm músculos flexores (que permitem que suas pernas dobrem), e o resto do trabalho é feito por pressão hidráulica.
Uma câmara perto da cabeça se contrai para enviar sangue aos membros, e assim os força a se estender. Quando a pressão é aliviada, as pernas se contraem. Após a morte, o animal perde a capacidade de pressurizar ativamente seu corpo, por isso fica enrolado.
Faye e Preston acharam esse mecanismo interessante e deram início ao trabalho recém-publicado – inserindo uma seringa nesta câmara secreta de movimentação do aracnídeo para ativar a pressurização do corpo.






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com ícone de árvore e raio, texto OFERTA RELÂMPAGO Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas Superinteressante e Veja, e um celular com aplicativo de notícias](https://beta-develop.super.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em destaque, acompanhado de um ícone de raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: Super, Veja e uma menor, Guia Quatro Rodas. No canto superior direito, um ícone de árvore estilizada](https://beta-develop.super.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif)