Missão da Nasa quer trazer à Terra rochas coletadas em Marte
Sair da Terra, explorar o planeta vermelho, reunir amostras e retornar para casa. Tudo até 2032.
Sair da Terra. Aterrissar em Marte. Coletar amostras do solo marciano. Deixar o planeta vermelho e iniciar a missão de volta à Terra. Chegar ao planeta-mãe com um pouquinho da geologia de nosso vizinho na bagagem.
Simples, não? A rigor, é algo parecido ao que as missões Apollo fizeram décadas atrás na Lua, uma tarefa essencial para que pudéssemos entender a composição da superfície lunar e orientássemos melhor nossa exploração espacial.
Agora, se quisermos percorrer distâncias mais longas pela galáxia, é preciso fazer o mesmo com um planeta. Melhor dizendo, com Marte, o melhor candidato a se tornar nossa segunda casa até agora.
“É um consenso entre a comunidade científica atual que, se quisermos responder as questões mais importantes sobre Marte – como, por exemplo, se já houve vida por lá – precisaremos trazer material marciano para nossos laboratórios na Terra”, disse Brian Muirhead, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL) que está liderando a missão, durante o 70° Congresso Internacional de Astronáutica.
O projeto que pretende realizar essa tarefa existe; mobilizou a Nasa, a agência espacial americana, e a ESA (equivalente do órgão na Europa), e vai custar a bagatela de R$ 7 bilhões. Trata-se de uma mega-operação, que envolve três foguetes de grande porte, dois rovers (robôs-carrinho com o tamanho de um carro utilitário), uma cápsula blindada e um procedimento inédito: o primeiro lançamento de foguete a partir de outro planeta. Tudo até 2032, ano em que a missão vai retornar à Terra, vale ressaltar.
A boa notícia é que as agências espaciais já tem uma ideia de como farão para tirar isso do papel. Esse projeto ousado, na verdade, terá início já em 2020. E
m julho do ano que vem, um rover da Nasa chamado Mars 2020 vai ser lançado a bordo de um foguete com destino ao Planeta Vermelho.
A máquina custou US$ 2,5 bilhões, e está programada para aterrissar em Jezero – uma cratera marciana específica, localizada próximo a um rio seco – em fevereiro de 2021. A tarefa desse carrinho inicial é vagar pelo nosso vizinho de sistema solar tentando identificar as áreas mais promissoras para se coletar pedaços do solo, e preparar amostras para o passo seguinte.
Cumprida essa primeira etapa, a ideia é mandar uma segunda missão a Marte em meados da década de 2020 – mais precisamente em 2026, segundo estimativas iniciais. Esse rover, feito para para de fato colocar a mão na massa, chega por lá à bordo de um foguete em 2028. O carrinho deverá encher um total de 30 tubinhos do tamanho de uma caneta, cada um com de 20 gramas pedacinhos de rocha de Marte – além de dois frascos com um pouco da atmosfera marciana.
Por fim, o conteúdo será embarcado em um contêiner de titânio, do tamanho de uma bola de basquete, que será levado por um terceiro foguete. Aí, só fica faltando a parte mais difícil: meter o pé do Planeta Vermelho. Para economizar combustível, a nave passará o ano seguinte acumulando energia com a ajuda de painéis solares, até que consiga sair da órbita de Marte. Como o foguete fará para deixar a superfície marciana e iniciar a volta, no entanto, é algo que os cientistas ainda não detalharam. O que se sabe é que o veículo de retorno, por fim, vai de alguma forma iniciar sua trajetória de volta à Terra e, do espaço, abandonar a cápsula – que, placidamente, descerá pela atmosfera terrestre.
O plano, ao menos na teoria, já está traçado. “Vale todo esse esforço para conseguir apenas uns fragmentos de Marte?”, você, leitor desconfiado, deve estar se perguntando. A Nasa não tem dúvidas de que sim, vale. O jeito é aguardar as cenas dos próximos capítulos.






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