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Mapa mostra onde “compostos químicos eternos” contaminam a vida selvagem

Os PFAS são substâncias sintéticas que se acumulam no meio ambiente e aparecem em pelo menos 330 espécies animais. Confira.

Por Luisa Costa 24 fev 2023, 17h42 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h51
Mapa mostra onde “compostos químicos eternos” contaminam a vida selvagem Priorizar nos meus resultados Google

Patos na Austrália, caranguejos no Brasil, cervos na Europa, crocodilos na África do Sul e ursos polares no Ártico. O que todos têm em comum? Alguns desses animais estão contaminados com “compostos químicos eternos”, um grupo de substâncias poluentes que aparecem em centenas de espécies selvagens pelo mundo.

O nome deste grupo é PFAS, perfluoroalquis ou perfluoroalquis. São milhares de substâncias sintéticas que combinam átomos de flúor e carbono. Elas aparecem em processos industriais e produtos variados, como tintas, cosméticos, tecidos impermeáveis e panelas antiaderentes. O problema é que tais substâncias não se decompõem facilmente, porque as ligações entre flúor e carbono são muito fortes. O resultado é que os PFAS se acumulam por aí no meio ambiente e nas cadeias alimentares.

Estima-se que 98% dos americanos, por exemplo, carreguem os compostos químicos eternos no sangue. E estudos sugerem que algumas dessas substâncias podem estar relacionadas a disfunções imunológicas, alterações hormonais, aumento do colesterol, infertilidade e câncer.

Essas substâncias nocivas também são comuns entre animais selvagens, como mostra um mapa interativo lançado por um grupo de cientistas que integram o Environmental Working Group (EWG), uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos. Eles revisaram 125 estudos que documentam a contaminação na vida selvagem e descobriram que os PFAS estão presentes em pelo menos 330 espécies ao redor do globo.

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Você pode acessar o mapa neste link e clicar em uma bolinha colorida para ver os principais detalhes sobre a contaminação identificada no local – quais substâncias foram detectadas em quais animais, junto ao link do respectivo estudo. Os pontos têm cores diferentes para anfíbios, mamíferos, pássaros, peixes, répteis e outros grupos animais, e os triângulos indicam que uma espécie afetada foi classificada como vulnerável ou ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

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Print de tela.
(EWG/Reprodução)

No Brasil, há apenas um pontinho que indica contaminação. Trata-se de um caso estudado em 2021 por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia e outras instituições. Eles investigaram a presença dos químicos eternos no estuário do rio baiano Subaé e descobriram que espécies diversas de peixes, ostras, siris, mexilhões, caranguejos que vivem por lá apresentam resíduos de PFAS.

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Isso não quer dizer que só exista contaminação no rio Subaé, claro. Mas que este foi o único estudo brasileiro selecionado para aparecer no mapa. A mesma coisa acontece no restante da América do Sul, na África e em grande parte da Ásia. São lugares que parecem ter menos contaminação, segundo o mapa da EWG – mas provavelmente só aparecem assim por causa da falta de estudos realizados nestas áreas. 

É o que dizem os pesquisadores responsáveis: “Testes adicionais provavelmente revelariam uma exposição semelhante [aos compostos químicos] na vida selvagem de locais não destacados neste mapa, uma vez que a poluição do PFAS é uma crise verdadeiramente global.”

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Pesquisadores, como os autores de tais estudos, ainda estão desvendando os efeitos da contaminação na vida selvagem. Mas acredita-se que os PFAS possam servir como um estressor extra no contexto em que muitas das espécies avaliadas se encontram – sofrendo com as mudanças climáticas, a perda de habitat, a caça e a pesca.

Um dos estudos que integram o mapa, por exemplo, revelou a presença de PFAS em tartarugas marinhas ameaçadas de extinção no Norte do Pacífico – e mostrou que a presença destas substâncias está relacionada à redução do sucesso na eclosão da espécie.

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