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Gene mutante pode ser solução contra uma superbactéria de infecção hospitalar

Pesquisa liderada por cientista brasileira encontra alteração que torna a superbactéria Enterococcus faecium mais suscetível a tratamento.

Por Manuela Mourão 18 ago 2025, 19h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h25
Gene mutante pode ser solução contra uma superbactéria de infecção hospitalar Priorizar nos meus resultados Google

Cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP identificaram uma mutação genética capaz de fragilizar uma das superbactérias que mais aterrorizam os ambientes hospitalares. A descoberta abre a possibilidade de restaurar a eficácia de antibióticos que hoje já não funcionam mais contra certas infecções resistentes.

A equipe, liderada pela professora Ilana Camargo, descreveu a descoberta em um artigo publicado na International Journal of Molecular Sciences. O alvo foi o Enterococcus faecium, uma superbactéria resistente à vancomicina (VRE), classificado pela Organização Mundial da Saúde como prioridade máxima para pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos.

Superbactérias são microorganismos que, pelo uso descontrolado de antibióticos, criaram resistência aos múltiplos remédios que seriam usados para tratar as doenças transcorridas de suas infecções. O contágio por uma bactéria deste tipo pode ser letal, uma vez que os tratamentos comuns não funcionam e, por isso, o paciente passa um tempo prolongado com a doença.

No centro do achado da nova pesquisa está o gene LafB, responsável pela produção de uma enzima essencial para a integridade da parede celular da bactéria. Uma única alteração, a mutação conhecida como W193R, mostrou-se suficiente para tornar a bactéria mais sensível à daptomicina, um dos últimos antibióticos disponíveis, e reduzir sua capacidade de causar infecções graves.

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Os pesquisadores chegaram a essa conclusão estudando uma cepa clínica brasileira de E. faecium, chamada HBSJRP18, que apresentava maior vulnerabilidade à daptomicina.

Para entender a razão, eles recorreram a uma combinação de técnicas de biofísica e modelagem estrutural por inteligência artificial. Assim, identificaram que a mutação enfraquecia a enzima LafB, uma peça-chave na produção do ácido lipoteicoico, substância fundamental para a estabilidade da membrana bacteriana. 

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Com a proteína instável, a parede celular perde força, abrindo brechas que facilitam a ação do antibiótico e reduzem a capacidade da bactéria de se multiplicar dentro do hospedeiro.

Em experimentos de laboratório, a cepa mutante cresceu mais lentamente, produziu menos biofilmes — estruturas que ajudam as bactérias a se protegerem — e mostrou-se menos letal em testes com animais. “Essas descobertas sugerem que LafB é um alvo promissor para o desenvolvimento de drogas que atuem em conjunto com antibióticos já existentes”, afirmou a professora Camargo para o Jornal da USP.

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A pesquisa contou com a colaboração de instituições internacionais, incluindo a Harvard Medical School e a Universidade da Flórida, além de financiamento de agências brasileiras como a Fapesp e o CNPq.

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