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Fósseis de âmbar revelam que dinossauros e besouros tinham relação simbiótica

Os dinossauros soltavam penas no ninho, e os besouros as comiam. É a primeira evidência de comensalismo entre artrópodes e dinos terópodes.

Por Leo Caparroz 18 abr 2023, 17h47 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h52
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Um pedaço de âmbar (resina de planta fossilizada) do período Cretáceo, encontrado na Espanha, guarda o exemplo mais antigo de uma relação benéfica entre dinossauros e artrópodes. Através de penas de dinossauro e larvas de besouro de 105 milhões de anos, pesquisadores descobriram a relação simbiótica entre esses dois animais.

Não é sempre que arqueólogos encontram penas – e evidências diretas da interação entre artrópodes e vertebrados são mais raras ainda. Os pesquisadores identificaram que as larvas do besouro estavam se alimentando das penas dos dinossauros. Protegidas pelo âmbar, as penas estavam danificadas e degradadas, o que mostra que foram preservadas nesse estado. As larvas também deixaram fezes entre as penas.

Segundo os pesquisadores, as larvas no âmbar não têm algumas das características críticas que indicariam se tratar de parasitas dos dinossauros, como uma boca especializada em se alimentar de pele ou sangue. Em vez disso, a relação entre os dois era mutualística, com as larvas se instalando nos ninhos, onde comiam o que os dinossauros expeliam e ainda atuavam como uma equipe de limpeza.

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No estudo, eles afirmam que seu achado é o terceiro registro dessa simbiose com evidências fósseis diretas. Contudo, os dois exemplos anteriores eram parasitários, o que torna esta a primeira evidência de um mutualismo entre as espécies.

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A espécie exata de dinossauro cujas penas foram encontradas ainda não está clara, mas os paleontólogos supõem se tratar de dinossauros terópodes, como o velociraptor e pássaros antigos. Já as larvas parecem pertencer a um grupo de besouros que têm espécies vivas hoje. Algumas larvas da família Dermestidae ainda vivem em ninhos de pássaros e consomem as penas que as aves soltam.

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A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

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