Estresse na adolescência pode modificar o cérebro
Experiência com ratos apontou o surgimento de mudanças ruins – e duradouras.
Viver siuações esressantes durante a adolescência pode ter efeitos especialmente ruins sobre o cérebro – e que persistem depois que o estresse termina. Foi o que revelou um estudo (1) em ratos realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP. Conversamos com Felipe Gomes, coordenador do trabalho.
O estudo mostrou que ratos adolescentes colocados sob estresse tiveram um aumento persistente na atividade dos neurônios piramidais e dos interneurônios. O que isso significa?
Os neurônios piramidais liberam o principal neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central, que é o glutamato. Já os interneurônios [que conectam neurônios sensoriais a neurônios motores] liberam o principal neurotransmissor inibitório, que é o GABA.
Isso forma o que a gente chama de balanço excitatório-inibitório. Quando há uma alteração desse balanço, pode haver consequências comportamentais. Elas não foram investigadas no estudo, mas a gente sabe que esse tipo de estresse causa alterações semelhantes às observadas em transtornos psiquiátricos, como prejuízo da função cognitiva, diminuição da sociabilidade e ansiedade.
Quando cobaias adultas foram submetidas às mesmas situações de estresse, essa mudança duradoura na atividade dos neurônios não ocorreu. Por quê?
A adolescência parece ser um período mais suscetível a alterações de longo prazo causadas pelo estresse, pois o cérebro ainda está em formação.
Nas cobaias adolescentes, também houve uma redução duradoura nas ondas gama geradas pelo cérebro. O que isso significa?
Isso está associado com a alteração do balanço excitatório-inibitório. As oscilações [ondas elétricas] gama são geradas justamente pelos interneurônios que regulam esse balanço. Elas são importantes, por exemplo, para a memória de trabalho [de curto prazo].
O estudo foi em ratos. Os resultados podem ser transpostos ao cérebro humano?
Com base em outros estudos, a gente tem observado que o estresse na adolescência pode resultar em alterações relacionadas à esquizofrenia. Enquanto o mesmo estresse, em um animal adulto, resulta em alterações mais relacionadas com a depressão.
O estresse é um fator de risco para transformações psiquiátricas. O nosso estudo indica que talvez a idade de exposição ao estresse possa ser um fator determinante para a consequência. A gente busca identificar os mecanismos envolvidos, e possivelmente tentar prevenir ou tratar o impacto do estresse.






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com ícone de árvore e raio, texto OFERTA RELÂMPAGO Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas Superinteressante e Veja, e um celular com aplicativo de notícias](https://beta-develop.super.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em destaque, acompanhado de um ícone de raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: Super, Veja e uma menor, Guia Quatro Rodas. No canto superior direito, um ícone de árvore estilizada](https://beta-develop.super.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif)