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Cuscuz, quiches e cookies: o que os astronautas da Artemis II vão comer a caminho da Lua

O cardápio espacial evoluiu muito nos últimos anos – e a tripulação terá mais de 180 opções diferentes de refeições e bebidas durante a viagem.

Por Bruno Carbinatto 1 abr 2026, 19h00 | Atualizado em 1 abr 2026, 19h07

Se você acha difícil planejar o cardápio da semana, imagina ter que cozinhar sem fogão, sem geladeira, na microgravidade e a caminho da Lua.

Os quatro astronautas da missão Artemis II terão esse desafio nos próximos dias. Na nave Orion, que está prevista para decolar na noite desta quarta-feira (1), Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (todos da Nasa) e Jeremy Hansen (da Agência Espacial do Canadá) vão seguir uma dieta limitada, ainda que bem mais diversa do que em missões espaciais passadas. Esta é a primeira missão tripulada à Lua desde a Apollo 17, em 1972.

O cardápio espacial costuma ser pouco apetitoso, por motivos óbvios. O espaço físico limita a quantidade e a variedade de alimentos a bordo, e há poucas formas de preparar as refeições (não é possível acender uma chama lá dentro, é claro). As refeições também não podem gerar muitas migalhas, por causa da falta de gravidade.

Por muito tempo, a comida de astronauta se assemelhava mais a “rações” prontas para comer, com todos os nutrientes necessários para o corpo, mas nada saborosas e pouco variadas.

Nas últimas décadas, a culinária espacial avançou bastante. Na Estação Espacial Internacional (ISS), que fica na órbita da Terra e sempre abriga uma equipe de astronautas, há uma série de “luxos”: geladeira para armazenar itens e, às vezes, alimentos frescos, já que o reabastecimento é feito com uma certa frequência.

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Na Órion, a caminho da Lua, o quarteto de astronautas não poderá contar com essa comodidade. Não há equipamento de refrigeração na nave, o que significa que todos os alimentos precisam ser não perecíveis, o que inclui itens liofilizados e desidratados. A tripulação vai hidratar as comidas e as bebidas e, se necessário, poderá esquentar as refeições em um pequeno aparelho.

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Segundo a Nasa, a dieta da Artemis II foi feita por profissionais de nutrição e leva em conta a ingestão de calorias, a necessidade de hidratação diária e o consumo de nutrientes essenciais – além de, é claro, o conforto e os gostos individuais dos tripulantes.

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Considerando todas essas adversidades, até que o cardápio lunar não é de todo ruim: os astronautas irão degustar tortillas mexicanas, cuscuz marroquino com castanhas, quiches de vegetais, peito bovino com barbecue, pão branco, linguiça, macarrão com queijo, granola com blueberries, amêndoas e cajus, vagens apimentadas e salada de manga, entre várias outras opções.

Para deixar as comidas menos sem graça, há diversas opções de molhos e temperos: mostarda, manteiga vegetal, mel, geleia, xarope de maple (popular no Canadá, país do astronauta Jeremy Hansen) e cinco tipos de molho de pimenta, entre outros.

Para beber, haverá café, chá verde, smoothie de manga, sidra de maçã, limonada e outras bebidas prontas, com sabores variados como abacaxi, cacau e morango – a maioria em pozinho, que precisa ser hidratado antes do consumo. A quantidade desses drinks, porém, é mais limitada: cada astronauta tem direito a apenas dois por dia.

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E, para quando bater aquela vontade de docinho, a Orion também terá uma série de sobremesas: cookies, chocolate e bolinhos, por exemplo.

No total, há 189 itens diferentes no cardápio da missão, segundo a Nasa, incluindo 10 tipos de bebidas.

O planejamento alimentar prevê café da manhã, almoço e jantar, e os alimentos são armazenados de maneira variada em embalagens distintas, cada uma comportando opções suficientes para alimentar uma pessoa por dois ou três dias. Uma vez aberto um desses pacotes, os astronautas podem escolher o que comer em cada refeição, com certa liberdade.

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Mas há algumas limitações. Comidas que precisam ser hidratadas exigem acesso ao sistema de água potável da Órion, que nem sempre fica ativo. Nas fases de lançamento, pouso e em outros momentos críticos, esse aparelho não funciona, então os astronautas terão que comer apenas as opções prontas para o consumo.

Todo o cardápio foi montado meses antes, com participação ativa da tripulação, que inclusive testou o preparo e o consumo dos alimentos em simulações, para saber como o processo funciona na microgravidade.

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