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A CRISPR é usada pela primeira vez em seres humanos para reverter cegueira

Cientistas saberão dentro de um mês se a técnica de edição genética conseguiu restaurar a visão do paciente, que sofre de uma doença rara.

Por Guilherme Eler 5 mar 2020, 19h18 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h23
A CRISPR é usada pela primeira vez em seres humanos para reverter cegueira Priorizar nos meus resultados Google

Dentre as diversas ferramentas de edição genética que existem, a CRISPR desponta como a opção mais promissora. Basicamente, o que ela faz é localizar e editar um trecho específico do DNA com alta precisão. É como se cientistas conseguissem fazer um Ctrl+C e Ctrl+V num pedaço de material genético, recortando os trechos que interessam e/ou introduzindo novos no lugar – e, assim, reescrever a sequência de letrinhas que forma o código genético. Você pode entender seu funcionamento mais à fundo neste texto da SUPER.

A tecnologia abre precedentes para uma série de aplicações, e vem servindo em testes para o tratamento de doenças. Cientistas já usaram CRISPR para eliminar tumores e doenças do sangue em células humanas – que, depois de “consertadas”, eram devolvidas ao corpo do paciente. Ao final de 2018, a ferramenta também viabilizou um procedimento controverso, que resultou na criação dos primeiros bebês geneticamente modificados.

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Agora, uma nova pesquisa usou CRISPR pela primeira vez no interior de um humano, em uma “cirurgia” corretiva para tratar uma forma rara de cegueira. O procedimento aconteceu na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, e foi financiado pelas empresas de biotecnologia Editas Medicine e Allergen. A notícia veio à público na última quarta-feira (4), mas os cientistas envolvidos no procedimento não divulgaram quando ela aconteceu.

Tudo o que se sabe é que o procedimento envolveu um paciente idoso do estado americano do Oregon, diagnosticado com amaurose congênita de Leber. A doença é causada por uma mutação genética que inibe a produção de uma proteína responsável por converter a luz em sinais elétricos no cérebro. Isso faz com que pessoas nasçam enxergando pouco e sofram de perda progressiva de visão.

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A cirurgia durou cerca de uma hora. O que os cientistas fizeram foi injetar atrás da retina, com a ajuda de um caninho com a grossura de um fio de cabelo, pequenas gotículas microscópicas. Essa solução transporta um vírus inofensivo, que possui as instruções para levar a ferramenta CRISPR ao interior das células do olho. Assim, ela conseguia acessar trechos específicos do DNA das células onde há a mutação para a cegueira, e cortar fora o pedaço comprometido.

Após a retirada do trecho mutado, a expectativa é que o DNA se reconecte. Assim, o gene volta a produzir a proteína que deveria – e as células oculares começam a converter a luz em sinapses de novo, devolvendo a visão ao paciente.

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Será preciso esperar um mês até que se descubra se o procedimento está funcionando – e pelo menos dois meses para entender se ele foi capaz de restaurar a visão do voluntário, ainda que parcialmente. Caso o resultado seja positivo, pesquisadores pretendem fazer novos testes, agora em um grupo de 18 crianças e adultos.

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