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Comunicação vocal é encontrada em 53 espécies que pensávamos ser silenciosas

São 50 espécies de tartaruga, um anfíbio, um réptil e um peixe. As descobertas sugerem que a comunicação vocal surgiu há 400 milhões de anos.

Por Luisa Costa 28 out 2022, 14h27 | Atualizado em 21 jan 2023, 16h45
Comunicação vocal é encontrada em 53 espécies que pensávamos ser silenciosas Priorizar nos meus resultados Google

Pense em animais que usam sons para se comunicar. Humanos, outros primatas, pássaros, baleias. Você consegue fazer uma lista grande – e provavelmente não incluirá tartarugas. Mas um novo estudo mostrou que elas não são tão silenciosas quanto parecem.

Gabriel Jorgewich-Cohen, um biólogo da Universidade de Zurique (Suíça), começou investigando suas próprias tartarugas de estimação. Depois, gravou cinquenta espécies de tartarugas em dois anos – e descobriu que todas parecem produzir sons para se comunicar.

Ele e seus colegas (incluindo pesquisadores brasileiros) ainda descobriram outras três criaturas falantes: a tuatara (Sphenodon punctatus), um réptil da Nova Zelândia que parece um lagarto; um anfíbio sem pernas chamado Typhlonectes compressicauda que vive na Floresta Amazônica; e a piramboia (Lepidosiren paradoxa), um peixe ósseo com pulmões, também encontrado na América do Sul.

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Um dos animais que se destacou na investigação dos biólogos foi a aperema (Rhinoclemmys punctularia), uma tartaruga sul-americana que faz mais de trinta vocalizações diferentes – como um som semelhante ao rangido de uma porta, usado por machos para conquistar uma parceira; um som chiado, produzido por filhotes; e outro que parece uma forma de cumprimento, acompanhado por… um aceno de cabeça.

Feitas as descobertas, os pesquisadores passaram a investigar a evolução da comunicação vocal (via produção de sons) entre os vertebrados. Para isso, eles construíram uma árvore filogenética com 1,8 mil espécies – uma representação gráfica que lembra uma árvore genealógica e representa as relações evolutivas entre os animais com um ancestral comum.

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Essas relações sugerem que a comunicação vocal é pelo menos tão antiga quanto o último ancestral comum de peixes pulmonados e animais terrestres – um peixe que habitou o planeta há aproximadamente 407 milhões de anos. Os animais, então, teriam começado a produzir sons para se comunicar antes mesmo de possuírem ouvidos bem desenvolvidos.

Os biólogos gravaram as 53 espécies com áudio e vídeo – o que permitiu observar o comportamento dos animais e associá-los aos sons produzidos, para distinguir sons acidentais daqueles que transmitiram uma mensagem. 

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Mas alguns pesquisadores que não participaram do estudo afirmam que as hipóteses são ousadas – porque não é simples identificar sons que têm um significado e alteram o comportamento do interlocutor. Alguns poderiam ser feitos ao acaso, e os respectivos animais poderiam não ouvir nem responder a eles. Por isso, Jorgewich-Cohen e seus colegas vão investigar melhor como as 53 espécies que pensávamos ser silenciosas usam as vocalizações que foram gravadas.

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O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.

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