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Coaches de TDAH atendem como psicólogos, mas não têm formação

Pesquisa traça perfil dos instrutores amadores que se popularizaram após a pandemia.

Por Diego Facundini 22 jan 2026, 10h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h33
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Eles prestam serviços de consultoria, fazem sessões semanais, abordam assuntos clínicos e cobram taxas parecidas com as de psicoterapeutas – sem ter, porém, qualquer diploma em psicologia. São os “coaches” de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), uma nova categoria de profissionais que teve sua ascensão meteórica após a pandemia da Covid-19.

Um novo estudo procurou investigar quem são essas pessoas que, propondo soluções práticas para problemas do dia a dia, aconselham seus clientes a contornar os obstáculos do TDAH para alcançar seus objetivos de vida.

De acordo com o estudo, a maioria desses profissionais – mais de 72% – suspeitam ter ou já foram diagnosticados com TDAH. Salvo raras exceções, eles costumam usar as próprias experiências pessoais com o transtorno para guiar suas consultorias.

A pesquisa foi divulgada o último dia 15 no periódico JAMA Network Open, e reuniu as respostas de 481 coaches nos Estados Unidos. No país norte-americano, 1 a cada 5 adultos com TDAH receberam atendimento desses profissionais em 2024. Entre as crianças, essa proporção foi de 1 a cada 7.

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Mais de 60% dos “coaches” ingressaram na carreira após o início da pandemia. Foi nesse período que a busca por diagnósticos, tratamentos e medicamentos para o transtorno bombaram devido a fatores que vão desde a popularização da telemedicina até a popularização do termo nas redes sociais.

No meio dessa explosão de diagnósticos, cerca de 40% das pessoas afetadas pelo TDAH nos EUA passaram a viver sem nenhum tipo de tratamento. O coaching, então, surgiu como uma alternativa para os serviços de saúde tradicionais, que não estavam dando conta de tanta demanda. Nessa linha, cerca de 65% dos coaches afirmaram terem sido indicados por profissionais de saúde.

Outros estudos recentes já haviam explorado os efeitos do coaching entre estudantes universitários com TDAH – e os resultados se mostraram positivos para a melhoria dos sintomas. No entanto, a segurança dessas novas formas de tratamento têm sido colocadas em questão.

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Cerca de 89% dos entrevistados não tinha qualquer experiência prévia com saúde mental, e 85% operavam sem uma licença profissional. Para mais de 62% deles, o único treinamento que tinham veio de outros coaches de TDAH, e mais de 90% trabalhava sob nenhuma supervisão clínica.

Ainda assim, as práticas desses profissionais se assemelham em muitos aspectos ao atendimento tradicional dos psicólogos. Em geral, eles oferecem, em formato online, sessões semanais e individuais com seus clientes, e cobram taxas parecidas com as de psicoterapeutas (que não são cobertas pelos seguros de saúde). Durante as sessões, é comum que sejam abordados assuntos clínicos, como traumas, abusos de substâncias e crises.

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Para que um psicólogo possa, legalmente, exercer sua profissão, ele precisa formar-se em um curso de psicologia, exercer um período de estágio supervisionado e conseguir um registro profissional (no caso do Brasil, que concede esse registro é o Conselho Federal de Psicologia, o CFP). Os coaches de TDAH raramente cumprem qualquer um desses requisitos – e isso pode ser arriscado.

Não se sabe ainda o quanto fatores como a disseminação de desinformação, o reforço de diagnósticos incorretos e intervenções danosas afetam a prática e os clientes do coaching – que, em grande parte, são crianças.

A pesquisa, identificando o perfil desses profissionais, é o primeiro grande passo para um melhor entendimento desse novo fenômeno. Questões relacionadas a segurança e eficácia continuam em aberto.

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Por enquanto, do que sabemos, o melhor tratamento para o TDAH se apoia no tripé: educação (informar-se sobre a condição), psicoterapia e medicamentos. No caso da psicoterapia, a abordagem mais recomendada, de acordo com o estudo, tende a ser a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).

Vale lembrar que, em 2019, o Conselho Federal de Psicologia lançou uma nota afirmando que profissionais registrados poderiam, sim, usar o coaching como prática terapêutica. Mas ressaltam: “qualquer profissional que não esteja inscrito no CRP, e que se utilizar de métodos e técnicas privativas da(o) psicóloga(o) durante sessões de coaching estará incorrendo em exercício ilegal da profissão”.

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