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Cientistas usam coquetel de drogas para regenerar pernas de rãs

A rã-de-unhas-africana não consegue regenerar membros depois de adulta. Mas uma combinação de cinco substâncias conseguiu reconstituir pernas amputadas dos animais em 18 meses.

Por Luisa Costa 1 fev 2022, 18h25 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h42
Cientistas usam coquetel de drogas para regenerar pernas de rãs Priorizar nos meus resultados Google

Todos os animais são capazes de regenerar tecidos – uns mais, outros menos. Lagartos e salamandras, por exemplo, não precisam se preocupar com a perda de uma perna ou cauda, porque conseguem logo produzir uma nova. Mamíferos, por outro lado, não são exatamente experts nesse assunto.

Embora o fígado humano impressione por sua capacidade de regeneração (até 75% de sua forma original), geralmente reconstituímos apenas pequenas porções de pele (por exemplo, quando você sofre um arranhão), vasos sanguíneos e nervos. Quem nos acompanha nas limitações é a rã-de-unhas-africana (Xenopus laevis).

Esse anfíbio pode reconstruir membros antes de sua metamorfose, mas perde capacidade regenerativa quando se torna adulto. Por isso, pesquisadores usam a espécie em experimentos que visam restaurar a forma e a função de tecidos – estratégias que, talvez, possam ajudar pacientes humanos no futuro.

Cientistas já tentaram usar implantes de células-tronco e terapia genética desencadear a regeneração nas rãs. Mas uma abordagem relativamente mais simples é estimular o próprio organismo do animal a reconstruir um membro amputado. Esse foi o objetivo de uma equipe de pesquisadores americanos em um estudo publicado recentemente no periódico Science Advances.

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A ideia era criar um ambiente propício para a regeneração e esperar o organismo das rãs fazer sua parte. Os cientistas da Universidade Tufts e de Harvard (ambas nos Estados Unidos) começaram o experimento com 115 rãs adultas. Eles anestesiaram os animais e amputaram uma de suas pernas.

Em seguida, as rãs foram divididas em três grupos. Os pesquisadores colocaram os animais em um equipamento chamado BioDome: uma tampa de silicone, semelhante a um dedal, preenchida com hidrogel de proteína de seda. 

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O primeiro grupo colocou o equipamento no coto (parte restante do membro amputado) por 24 horas; enquanto o segundo utilizou o BioDome da mesma maneira, mas carregado com um coquetel de drogas. Foram cinco substâncias no total: 1,4-DPCA, BDNF, hormônio do crescimento, RD5, e ácido retinóico.

Cada uma tinha um propósito diferente: conter uma possível inflamação; inibir a produção de colágeno pelo organismo (e, portanto, um processo de cicatrização); ou estimular a regeneração de tecidos – como vasos sanguíneos, nervos e músculos. 

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O terceiro grupo de rãs não recebeu nenhum tratamento, servindo como o controle do experimento. Como esperado, eles não regeneraram o membro inteiro: desenvolveram apenas pequenas estruturas semelhantes a espinhos no coto.

Após 18 meses, as rãs que utilizaram o BioDome sem medicação apresentaram algum crescimento do membro, mas o destaque ficou para a combinação do equipamento com o coquetel de drogas. O grupo de animais que recebeu essa intervenção desenvolveu uma estrutura semelhante à perna amputada, com ossos, nervos, cartilagem e, às vezes, a ponta de um dedo do pé.

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Os membros não era perfeitos, mas funcionavam: as rãs conseguiram nadar com as novas pernas como fariam normalmente, e os membros regenerados responderam aos estímulos de toque feitos pelos pesquisadores.

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“O fato de ter sido necessária apenas uma breve exposição às drogas para iniciar um processo de regeneração de meses sugere que rãs, e talvez outros animais, possam ter capacidades regenerativas adormecidas que podem ser acionadas”, afirma Nirosha Murugan, autora principal do estudo, em comunicado.

Agora, os pesquisadores pretendem testar essa intervenção em roedores – um desafio ainda maior, visto a capacidade limitada de regeneração em mamíferos. Uma coisa é certa: ainda serão feitas muitas pesquisas antes que um tratamento como esse seja administrado em pacientes humanos. Mas, para os cientistas, este é um começo.

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