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Cientistas encontram evidências mais antigas de vida na Terra

Novos fragmentos de rocha descobertos no Canadá indicam que microrganismos já passeavam por nosso planeta há quase 4 bilhões de anos

Por Guilherme Eler 27 set 2017, 16h31 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h35
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A Terra primitiva era um ambiente um tanto hostil para se viver: além de ser constantemente bombardeada por meteoros e sofrer com abalos sísmicos constantes, a atmosfera quase não tinha oxigênio – o que postergou muito o surgimento de seres mais complexos.

Porém, esse cenário adverso não impediu certos microrganismos de estabelecerem acampamento por aqui, algumas centenas de milhões de anos após a formação do nosso planeta. Foi o que reforçou um novo estudo da Universidade de Tóquio, no Japão. Segundo os pesquisadores, que analisaram fragmentos de rochas antigas, os primeiros moradores teriam surgido já há 3,95 bilhões de anos. Até então, as formas vivas apontadas como mais velhas datavam de 3,8 bilhões de anos atrás.

Cravar uma data de aniversário precisa para o ser vivo que estreou nosso planeta não é lá muito fácil. Isso porque os primeiro habitantes, de tão pequenos, não deixaram vestígios visíveis – como são os fósseis que facilmente comprovam a existência dos simpáticos dinossauros, por exemplo. No entanto, essa dificuldade não invalida o fato de que existiram, e deixaram sua pegada no começo da vida na Terra.

Devido a distância temporal, é normal que os cientistas investiguem pistas muito ínfimas, como a composição química de rochas sedimentares sobreviventes do período. A descoberta atual aconteceu dessa forma, enquanto o grupo trabalhavam na Saglek Block, área de formações rochosas de Labrador, norte do Canadá.

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A região abrigava pedras formadas por cristais de grafite, que, por sua vez, continham isótopos de carbono bastante especiais. Os pesquisadores defendem que a origem desses componentes químicos é biogênica, ou seja, eles teriam sido produzidos por organismos vivos. Isso for confirmado graças às semelhanças nas temperaturas de cristalização do grafite e a temperatura metamórfica das rochas – que indicam que não houve contaminação posterior com outros restos orgânicos.

A aparência desses bichinhos pioneiros, porém, permanece sob mistério. “Iremos analisar outros isótopos dessa matéria orgânica, como nitrogênio, enxofre e ferro, e procurar por outros minerais para identificar os tipos de organismos”, declarou Tsuyoshi Komiya, um dos autores do estudo, à AFP.

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Em março deste ano, outras rochas canadenses também foram apontadas como detentoras das evidências de vida mais antigas. Elas foram encontradas em Quebec, e foram estimadas com 3,77 bilhões de anos. Em entrevista ao site Gizmodo, Matthew Dodd, um dos que assinou a descoberta, comentou o novo estudo japonês, que destrona as evidências encontradas por seu grupo: “Concordo com as conclusões, olhando somente esses dados preliminares. Porém, o estudo se limita apenas em evidências biogênicas no grafite”. O curioso é que, à época, a pesquisa de Dodd também foi tomada com certo ceticismo – como você pode ver nesta matéria da SUPER. É o preço que se paga quando se tenta investigar distâncias tão grandes.

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