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Cientistas descobrem que peixes dormem como nós – e até tiram cochilos

Estudo mostrou que o sono desses animais aquáticos é dividido em quatro estágios, assim como o dos seres humanos.

Por Diego Facundini 29 Maio 2026, 08h00
Cientistas descobrem que peixes dormem como nós – e até tiram cochilos Priorizar nos meus resultados Google

Seja flutuando próximos à superfície ou escondidos em alguma alcova escura embaixo da água, os peixes – que não têm pálpebras – nunca perdem a chance de tirar uma pestana.

Agora, cientistas acabam de descobrir que o sono desses animais pode passar por quatro estágios distintos – e um deles, o mais pesado, acontece quase exclusivamente durante o dia, em pequenos “cochilos”. Esses estágios são similares às fases do sono encontradas em seres humanos, incluindo o sono REM, que é caracterizado pelo movimento rápido dos olhos.

A descoberta foi divulgada no periódico Nature Communications no início de maio.

No estudo, pesquisadores alemães do Instituto Max Planck de Cibernética Biológica monitoraram o movimento dos olhos de peixes-zebra usando um microscópio automatizado. Os resultados das observações mostram, pela primeira vez, a arquitetura complexa por trás do sono dos peixes.

Peixes-zebra, assim como a maioria dos peixes e mesmo os humanos, são diurnos, e passam por longos períodos de inatividade, principalmente durante a noite. Nesse estado, eles se tornam menos responsivos a estímulos externos e, como observado em estudos passados, também passam a mexer os olhos de maneiras bastante distintas.

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Já era sabido que mamíferos, incluindo os aquáticos, passam por diferentes estágios de sono, incluindo por etapas caracterizadas pelo movimento dos olhos. Porém, a possibilidade de outros tipos de animais também apresentarem algo parecido tem sido alvo de um longo debate dentro da biologia. No caso dos peixes, até então, o movimento dos olhos durante o sono nunca tinha sido propriamente sistematizado.

Para preencher essa lacuna, os pesquisadores combinaram observações comportamentais com análises do cérebro dos peixes-zebra ainda em estado larval. A espécie escolhida facilitava o processo: durante as primeiras três semanas de vida, peixes-zebra são transparentes. Assim, os pesquisadores poderiam utilizar técnicas avançadas de microscopia para monitorar quais neurônios disparavam durante cada fase do sono.

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Antes de tudo, porém, havia o desafio de conseguir acompanhar os peixes. Os cientistas precisavam monitorar o movimento dos olhos de 105 indivíduos, caçando, dormindo e nadando livremente por um tanque de água. A solução, então, foi criar um sistema automatizado de câmeras e microscópios, capaz de rastrear e capturar imagens precisas dos olhos dos peixes.

Pequenos peixes transparentes, com olhos escuros e caudas finas, nadam em um fundo preto com riscos e pontos brancos
(© MPI para Cibernética Biológica/ Jörg Abendroth/Reprodução)

Assim, o estudo identificou três fases distintas do sono dos peixes caracterizadas pelo movimento dos olhos, além de uma quarta na qual os olhos não se mexem.

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Três desses estágios acontecem durante a noite, e duram um total de 10 horas. O primeiro toma mais da metade desse período, e não apresenta nenhum movimento nos olhos. O peixe fica parado, com um olhar de mil jardas. Mais perto da manhã, entra o segundo estágio, e os olhos começam a se mexer para os lados, por curtos espasmos, lentamente retornando até o centro. O terceiro aparece próximo do amanhecer, quando os dois olhos se tornam fixos, apontando em uma mesma direção.

A última, a mais profunda, acontece principalmente durante o dia. Por curtos períodos, o peixe se torna imóvel, enquanto seus olhos fazem movimentos frequentes. Essa fase é, basicamente, um “cochilo” – tanto que, como os pesquisadores observaram, a atividade cerebral diminui significativamente. O mais surpreendente é que essa etapa, que ocorre durante o dia, é também a mais difícil de despertar, deixando o animal vulnerável a predadores.

Os peixes observados não pertenciam a uma única espécie. Na verdade, o apelido “peixe-zebra” se refere a todo o gênero Danio. A mesma organização do sono foi observada em todos os indivíduos, o que sugere que essa característica é, evolutivamente, ancestral. Ainda assim, os cientistas não sabem ao certo se os movimentos oculares de cada estágio têm funções específicas ou são apenas uma consequência da atividade nervosa.

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“Estamos muito curiosos sobre quais papéis os diferentes estágios do sono desempenham”, disse, em nota, a pesquisadora Jennifer M. Li. “O sono é importante para muitos processos, desde a reativação de memórias até a remoção de resíduos, mas ainda não entendemos totalmente por que e como isso é organizado ao longo do tempo. Os peixes-zebra, com seus cérebros transparentes, nos oferecem uma maneira poderosa de descobrir isso.”

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