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Cientistas criam “couro” feito de fungos que pode se reparar sozinho

Ele é composto por micélios, que se regeneram sob determinadas condições; tecido ainda é muito fraco e instável para ser utilizado em roupas.

Por Leo Caparroz 24 abr 2023, 18h03 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h52
Cientistas criam “couro” feito de fungos que pode se reparar sozinho Priorizar nos meus resultados Google

Pesquisadores publicaram, na revista Advanced Functional Materials, um estudo detalhando uma nova forma de obter um tecido já conhecido. A equipe criou um couro auto-recuperável a partir de micélios de fungos que conseguia se consertar sozinho.

O micélio é um grande emaranhado de fiozinhos que representa a maior parte da estrutura de um fungo. Aquele chapéu que você geralmente associa aos cogumelos não é nada comparado ao micélio, que fica escondido no substrato em que o fungo se instala; seja um pedaço de pão, o próprio solo ou uma formiga.

Couro feito a partir de micélio não é exatamente uma novidade, mas sua produção até agora era feita de modo a impedir o crescimento do fungo. A hipótese dos pesquisadores era justamente essa: eles especularam que, mudando as condições de fabricação, o micélio poderia manter sua capacidade de crescimento, e se “consertar” novamente se danificado.

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Para produzir seu

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couro fúngico, os pesquisadores cultivaram o micélio em uma sopa rica em proteínas, carboidratos e outros nutrientes. Depois que o fungo cresceu na superfície do líquido, os cientistas o retiraram, limparam e secaram para produzir uma espécie de couro fino e frágil. Em seguida, submeteram esse micélio a temperaturas e produtos químicos suaves o suficiente para formar o couro, mas manter partes essenciais do fungo vivas. 

Os pesquisadores fizeram furos no couro e, em seguida, mergulharam na mesma sopa que foi usada para cultivá-lo. Isso despertou as partes responsáveis pelo crescimento, e permitiu que o micélio voltasse a crescer e tampasse os buracos.

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Uma vez consertadas, as áreas com os furos eram tão fortes quanto as áreas ilesas; contudo, assim como com uma costura, os remendos eram visíveis de um lado do couro.

Segundo os pesquisadores, a técnica poderia sair do laboratório e chegar às lojas de roupas na próxima década. Porém, para que isso aconteça a equipe ainda precisa deixar o couro mais forte e resistente, além de determinar como controlar seu crescimento. Não seria nada agradável, por exemplo, sair na chuva e descobrir que sua jaqueta está crescendo ou produzindo cogumelos.

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