Oferta Relâmpago: Super por 7,99

Bolsa de “couro de tiranossauro” falha em vender em leilão

Feita em laboratório a partir do colágeno de um fóssil de T. rex, a peça prometia inaugurar uma nova era do couro – mas nem os colecionadores se convenceram.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 9 jul 2026, 08h00
Bolsa de “couro de tiranossauro” falha em vender em leilão Priorizar nos meus resultados Google

Protagonista dos filmes da franquia Jurassic Park e de incontáveis brinquedos de criança, o tiranossauro está extinto há 66 milhões de anos. Mesmo assim, em abril deste ano, o mercado da moda recebeu um anúncio intrigante: o lançamento de uma bolsa de “couro de tiranossauro”.

À primeira vista, pode parecer fake news ou até uma imagem gerada por IA – mas a notícia é real. Obviamente, não se trata de uma bolsa feita com fósseis, mas de uma reconstrução celular do que seria a pele do famoso T. rex.

Lançada pela marca de techwear (roupas tecnológicas) Efin Levé, a bolsa passou por um longo processo científico. A equipe partiu de fragmentos da proteína colágeno preservados em um fóssil do fêmur de um T. rex encontrado no estado de Montana, nos Estados Unidos. Vale lembrar que não se trata do DNA do dinossauro, já que essa molécula não consegue por dezenas de milhões de anos.

A partir daí, os pesquisadores usaram técnicas de biologia computacional e modelagem por inteligência artificial para reconstruir as partes faltantes do colágeno, criando uma estimativa de como seria a sequência genética que deu origem à proteína. Para isso, utilizaram como referência estruturas de proteínas já conhecidas de outros animais, principalmente as das galinhas, parentes mais próximos dos dinossauros.

Continua após a publicidade

Essa sequência foi então sintetizada em laboratório e inserida em células hospedeiras, que passaram a produzir o colágeno, formando, finalmente, o chamado “couro de T. rex”.

A peça é feita a partir dessas células e não utiliza plástico (como o couro sintético) nem exige o abate de animais (como o couro tradicional). Ao mesmo tempo, promete ter durabilidade e composição semelhantes às do couro animal.

Bolsa transversal verde-escura com textura enrugada, zíper frontal preto e alça preta com um chaveiro em formato de dupla hélice de DNA
(Lab Grown Leather (LGL)/Divulgação)
Continua após a publicidade

Mas a maior questão não é a qualidade do material, e sim as dúvidas científicas. 

De fato, a bolsa foi produzida com base em fragmentos de colágeno encontrados no fóssil. Porém, para alguns pesquisadores, ainda não é possível afirmar com certeza que essas proteínas pertencem realmente ao dinossauro, já que é extremamente improvável que elas tenham sobrevivido por mais de 60 milhões de anos. Segundo essa hipótese, as estruturas encontradas poderiam pertencer a organismos que colonizaram os ossos ao longo do tempo, como bactérias.

Além desse debate, outros cientistas apontam que, devido ao pequeno tamanho do fragmento de colágeno preservado, a maior parte do chamado “couro de tiranossauro” é, na verdade, derivada das proteínas dos outros animais utilizadas para reconstruir a sequência genética.

Continua após a publicidade

“Mini-tiranossauros”: descoberta nova espécie de dinossauro

Mesmo assim, a bolsa foi anunciada como o “primeiro produto do mundo feito de couro de T. rex” e uma “bolsa de luxo única”. A expectativa era arrecadar centenas de milhares de dólares. A peça foi avaliada entre US$ 350 mil e US$ 580 mil – cerca de R$ 1,8 milhão a R$ 3 milhões. 

Em junho, foi organizado um leilão em Paris exclusivamente para vendê-la.

Continua após a publicidade

A reação dos compradores, contudo, ficou bem abaixo do esperado. Nenhum lance chegou perto da estimativa: a maior oferta foi de “apenas” US$ 170 mil. A bolsa acabou sem comprador. No fim, comprar uma bolsa de dinossauro não era algo tão desejado quanto a empresa pensava.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com ícone de árvore e raio, texto OFERTA RELÂMPAGO Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas Superinteressante e Veja, e um celular com aplicativo de notíciasBanner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em destaque, acompanhado de um ícone de raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: Super, Veja e uma menor, Guia Quatro Rodas. No canto superior direito, um ícone de árvore estilizada
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Premium

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).